....Ary dos Santos é um dos meus poetas favoritos. Não que seja grande devoradora ou conhecedora de poesia. A forma como ele escreve é... forte.
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Música: R.G.
Voz: Moi
Os Cães da Infância
São os cães da infância os cães dementes
ladrando-me às canelas do passado
cães mordendo-me a vida com os dentes
Ferrados no meu sexo atormentado.
Paguei cada minuto do presente
com vergões de amor próprio vergastado
porém só fala quem se não consente
vencido temeroso ou amarrado.
Contra os cães uivo. Não me fico assim.
Não tenho pai nem mãe. Nasci de mim
macho e fêmea gerando o desespero.
Lutar é tudo quanto sou capaz.
Não me pari para viver em paz.
Tudo o que sou é menos do que quero.
José Carlos Ary dos Santos viveu entre 1937 e 1984. Nasceu em Lisboa, frequentou as Faculdades de Direito e de Letras, tornou-se destacado profissional de publicidade. Estreou-se com A Liturgia do Sangue. Destacou-se como animador político, declamador e letrista de canções de grande popularidade como Lisboa, Menina e Moça, O Amarelo da Carris, Os Putos e outras. Transbordando de ternura e de verrina, destacou-se pela facilidade com que trabalhava a musicalidade da língua e pela força da presença em público como declamador.
in "Cem Sonetos Portugueses. Selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria", Terramar
quinta-feira, 21 de junho de 2007
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