www.amnesty.org/noise
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Hóstia!!
A revolução industrial chegou ao mosteiro...
Freiras da ilha Terceira passam a fazer hóstias à máquina
A produção manual de hóstias teve de ser substituída por máquinas industriais no Mosteiro da Senhora das Mercês, na ilha Terceira, nos Açores.
O Mosteiro da Senhora das Mercês fabrica semanalmente cerca de 60 mil unidades para responder às encomendas de várias ilhas, sendo um dos principais locais de produção de hóstias no arquipélago.
Desde a fundação do mosteiro, em 1977, que as irmãs clarissas se dedicam à confecção de hóstias para obter algum rendimento.
"Anteriormente, grande parte do trabalho era feito manualmente, dado que tínhamos umas máquinas antigas, mas agora com as máquinas novas é muito mais rápido e menos cansativo", explicou à Lusa a irmã Verónica, uma de dez religiosas, com idades entre os 29 e os 85 anos, que vivem no mosteiro em total clausura.
Por se tratar de uma ordem contemplativa e sem contacto com o mundo exterior, as irmãs clarissas recebem as encomendas por telefone. Podem ser adquiridos sacos de 50 hóstias (3 euros), 500 (3,5 euros) ou 1000 hóstias (7 euros), que são depois enviados pelo correio para as paróquias.

Pablo Picasso, "Ciência e Caridade" (1897)
Freiras da ilha Terceira passam a fazer hóstias à máquina
A produção manual de hóstias teve de ser substituída por máquinas industriais no Mosteiro da Senhora das Mercês, na ilha Terceira, nos Açores.
O Mosteiro da Senhora das Mercês fabrica semanalmente cerca de 60 mil unidades para responder às encomendas de várias ilhas, sendo um dos principais locais de produção de hóstias no arquipélago.
Desde a fundação do mosteiro, em 1977, que as irmãs clarissas se dedicam à confecção de hóstias para obter algum rendimento.
"Anteriormente, grande parte do trabalho era feito manualmente, dado que tínhamos umas máquinas antigas, mas agora com as máquinas novas é muito mais rápido e menos cansativo", explicou à Lusa a irmã Verónica, uma de dez religiosas, com idades entre os 29 e os 85 anos, que vivem no mosteiro em total clausura.
Por se tratar de uma ordem contemplativa e sem contacto com o mundo exterior, as irmãs clarissas recebem as encomendas por telefone. Podem ser adquiridos sacos de 50 hóstias (3 euros), 500 (3,5 euros) ou 1000 hóstias (7 euros), que são depois enviados pelo correio para as paróquias.

Pablo Picasso, "Ciência e Caridade" (1897)
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
Sesta
Para quem como eu gosta de dormir a sesta, aqui vão óptimas justificações.

Klimt, As Damas (1912/13)
Zzzzzzzzzzzz... Queremos dormir a sesta
01.08.2007, Andreia Sanches, jornal "Público"
A Hungria pode vir a referendar uma lei da sesta. E em França, um ministro questionou recentemente: "Porque não dormir no trabalho?"
Em Portugal, deputados, artistas, governadores civis, presidentes de câmara fazem parte do clube dos Amigos da Sesta. E falam das vantagens. Os cientistas dizem que elas estão "provadas".
Prates Miguel, advogado e escritor, atende o telefone no seu escritório e confessa que está um bocado "irritadiço". A hora de almoço já lá vai e não conseguiu dormir a sesta - acontece-lhe muitas vezes, nomeadamente quando tem audiências no tribunal marcadas precisamente para aquela hora em que o corpo parece fraquejar e os olhos pesam. "Fico desequilibrado para o resto da dia se não durmo depois de almoço." Quando não tem julgamentos, é ali mesmo, no seu gabinete, que ocupa o sofá que costuma ser usado pelos seus clientes, cobre-se com uma manta e desliga. Uma hora, no máximo. Nem precisa de despertador. Por isso, quando se diz a Prates Miguel que na Hungria pode vir a realizar-se um referendo sobre o tema, ele rejubila.
Depois de se terem pronunciado sobre a adesão à Nato e à União Europeia, os húngaros poderão ser chamados, no próximo ano, a votar "sim" ou "não" à sesta. Esta semana, que coincide com uma sucessão de dias abrasadores no país, o Comité Nacional de Eleições tomou uma decisão. A pergunta - "Acha que o Parlamento da República da Hungria deve fazer uma lei para introduzir a sesta?" - tem pertinência e pode ser feita. Para que isso aconteça basta que sejam apresentadas 200 mil assinaturas a defender que a consulta popular deve ir para a frente.
Em Portugal, dormir no trabalho (pelo menos sem ser às escondidas) está longe de estar generalizado. O que é uma pena, lamenta um batalhão de fãs da sesta - e são já mais de 220 os sócios da Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta (APAS), fundada há quatro anos por Prates Miguel e pelo então deputado socialista José Miguel Medeiros, hoje governador civil de Leiria.
Acreditam que não é pela mudança na lei que se defende algo sem a qual vivem mal - uma pausa a meio da jornada - e portanto as suas propostas não passam por aí. "O que pretendemos é difundir a ideia de que a sesta é algo natural, que é uma forma de sermos mais felizes, pretendemos alertar para o ritmo alucinante em que vivemos e sensibilizar para a utilidade de disponibilizar nos espaços de trabalho locais onde as pessoas possam, se quiserem, descansar", explica Miguel Medeiros. "A sesta é um direito de quem trabalha".
Benefícios comprovados
Há alguns anos, a adega cooperativa de Vila Nova de Foz Côa chegou a instituir um horário de almoço mais alargado para os trabalhadores dormirem. Mas a ideia não teve grandes adeptos. José Cabaço, 43 anos, funcionário no armazém da cooperativa, nunca aproveitou a oportunidade. "Não sentia falta." E porque como ele pensavam outros colegas, o horário voltou ao normal e a meia hora livre que tinha sido acrescentada ao almoço (e que implicava que no final do dia se chegava meia hora mais tarde a casa) foi retirada.
Mas outros países aproveitam as virtudes de um breve sono retemperador, como lembra Teresa Paiva, neurologista e autora do primeiro mestrado do mundo em Medicina do Sono. No Japão há empresas que fornecem almofadas - ou salas de repouso - para os funcionários dormirem alguns minutos. Nos escritórios da Toyota, em Tóquio, por exemplo, as sestas depois de almoço tornaram-se frequentes.
"Os benefícios de uma sesta curta, de 20 ou 30 minutos, estão cientificamente comprovados. Há um melhor desempenho cognitivo", explica Teresa Paiva.
A sonolência do pós-almoço não é um mero acaso. É por volta das 14h que acontece a segunda maior quebra de temperatura corporal do dia (a primeira ocorre por volta das quatro da manhã). Daí a "moleza", como também se ouve chamar-lhe. Não é uma reacção ao calor que a essa hora aumenta no exterior. É o nosso "relógio biológico intrínseco a funcionar", diz a neurologista que não tem pejo em mandar "tudo o resto esperar", quando se sente cansada, para se deitar numa das camas do seu consultório e dormir um pouco.
Teresa Paiva desconstrói também outro mito: é essa quebra de temperatura corporal que, em primeira instância, provoca o sono, não é o almoço, como por vezes se pensa. Ainda que as refeições "também façam aumentar a sonolência".
Está escrito no nosso ADN
"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Ao longo da maior parte da nossa história, um período de descanso durante o dia era considerado uma componente tão necessária à existência humana como dormir à noite", escreve a investigadora do Salk Institute, na Califórnia. "Por volta do século I a.C. os romanos haviam dividido o dia em períodos designados para actividades específicas, como a oração, as refeições e o repouso. O meio-dia tornou-se conhecido por sexta, de sexta hora, um período em que todos iam para a cama. A palavra sobreviveu sob a forma que nos é familiar de sesta."
Mas "algures entre os séculos XIII e XV" os relógios mecânicos substituíram os de sol e água. Os trabalhadores começaram a ser remunerados à hora em vez de à tarefa. Dormir começou a ser encarado como um desperdício de tempo e de dinheiro. E o sono bifásico, continua Mednick, foi desaparecendo dos países mais desenvolvidos da Europa Setentrional à medida que a Revolução Industrial foi progredindo.
No Sul menos desenvolvido, ainda foi resistindo. Mas até a famosa siesta espanhola (siesta que também é rainha no México) tem enfrentado dificuldades. No final de 2005 foi publicada em Espanha uma lei que obriga a função pública a ter as 18h como hora limite de encerramento e que reduz a hora do almoço (esta fica limitada ao curto intervalo entre as 12h e as 13h, quando antes se estendia facilmente até às 16h30). O Governo alegou que não era bom os funcionários chegarem tão tarde a casa, ao fim do dia, para estar com a família. O Clube dos Empresários aplaudiu porque disse que a siesta custa caro ao país. Farão parte do grupo dos que não se deixam sensibilizar com argumentos como: Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Napoleão Bonaparte e Albert Einstein ficaram para a história... e dormiam a sesta.
Soares, amigo da sesta
A NASA, que concebeu um programa de sestas a bordo para melhorar o desempenho dos seus astronautas em voos de longo duração - programa esse que algumas companhias como a British Airways ou a Amtrak (EUA) adoptaram -, tem estudado o tema. E Mednick recorda que a instituição concluiu que pode haver um aumento de até 100 por cento do estado de vigília. E "permanecer vigilante é o mais importante factor condicionador de eficiência", seja para quem conduz ou analisa tendências de mercado.
Muitos dos sócios da APAS não estranham a afirmação. Garantem que conhecem por experiência própria os efeitos benéficos da sesta. Da lista dos que desde 2003 aderiram à causa fazem parte desde governadores civis, a médicos, escritores, cantores, actores, empresários, deputados, presidentes de câmara...
O antigo presidente da República Mário Soares é sócio honorário - "Ele não dispensa a sesta e não duvido que isso explique a sua energia", afirma o governador civil de Leiria, fundador e sócio n.º 2 da APAS. "A mim, bastam 20 minutos, meia hora para me sentir diferente. Faço-o no carro em viagem, porque o meu trabalho implica milhares de quilómetros em viagem e tenho motorista; ou no meu gabinete, na cadeira ou no sofá. Adapto-me muito facilmente às circunstâncias", continua Miguel Medeiros.
Há quem durma apenas alguns minutos, quem o faça depois de almoço e quem tenha hábitos menos ortodoxos, como o escritor Álvaro Magalhães: "Trabalho à noite. Por isso durmo a sesta (uma meia hora) depois de jantar, o que corresponde ao meu meio dia de trabalho. Depois recomeço e trabalho até às cinco da manhã." Com criatividade reforçada.
Sem pijama
No escritório, Álvaro Magalhães tem um sofá confortável. Não exige mais nada para descansar um bocadinho, "não há nenhum ritual", não precisa de vestir o pijama, ou apagar as luzes, ou estar em silêncio. Tudo isso fica para o sono a sério, quando põe um ponto final na escrita. Bem diferente do primeiro-ministro britânico Winston Churchill que dizia que a sesta verdadeira implicava mesmo despir a roupa e ir para a cama - o estadista acreditava que "a natureza não nos fez para trabalhar, nem mesmo para nos divertirmos, das oito da manhã à meia-noite".
Francisco Moita Flores, autarca de Santarém, também se associou à causa da APAS, mas confessa: "Infelizmente não posso cumprir com o apetite diário que tenho" de fazer uma pausa e descansar. Uma vez por semana, no máximo, consegue esticar-se no sofá, depois de almoço. Mas já houve tempos em que o fazia mais vezes. "Quando dava aulas na faculdade, às vezes, nos intervalos, dormia no gabinete." Quando acordava, sentia que produzia mais.
Com Sinde Filipe, actor, dormir a sesta é diferente. A sua ligação à APAS começou porque um dia fez uma telenovela onde encarnava um personagem "apologista" do sono a meio do dia. E quando na associação souberam que o seu gosto pelo mesmo era mais do que uma ficção, foi convidado a juntar-se ao grupo. "Às vezes é difícil. Mas sempre que posso faço-o."
Nos estúdios tenta arranjar um refúgio - nos cenários há sempre um sítio mais propício - para dormir nem que seja meia hora. "Enquanto os outros fumam, durmo. Depois acordo, tomo um café, sinto-me óptimo. Se houver um referendo cá voto já a favor... porque é muito melhor desligar um pouco, para dar o melhor depois da sesta, do que andar sonolento o dia inteiro."
O regresso da sesta?
Talvez esta tenha sido uma das razões que levou o ministro da Saúde de França (actual ministro do Trabalho), Xavier Bertrand, a apresentar, há uns meses, um plano destinado a melhorar a qualidade do sono dos franceses, nomeadamente promovendo acções de prevenção e de educação. Mas o governante foi mais longe: "Porque não dormir a sesta no trabalho?" - interrogou, defendendo que o tema não deve ser um tabu. Algumas empresas já permitem interrupções para dormir durante 15 minutos. E o ministro disse mesmo que ia estudar o assunto e podia vir a "promover o conceito".
Os britânicos estranharam: "Eles já têm 35 dias de férias" - escreveu The Daily Telegraph. Mas até no Reino Unido uma "organização" chamada a Siesta Awareness (que na verdade é constituída apenas por Noel Kingsley, professor) assinala, de há dois anos para cá, o dia nacional da sesta. "Culturalmente", diz, dormir não é aceite. Mas as coisas podem estar a mudar. Kingsley nota que o dia nacional da sesta tem suscitado grande atenção: "No último 11 de Julho dei 33 entrevistas a rádios e televisões."
Para Sara C. Mednick há sinais "encorajadores" que apontam para o fim da "tendência anti-sesta" sobretudo "nas nações mais industrializadas do Norte da Europa". Um estudo recente conclui que, na Alemanha, 22 por cento da população activa diz dormir a sua sesta pelo menos três vezes por semana. E numa visita à sua terra natal, a Dinamarca, Mednick descobriu que na cidade de Hillerod (com 37 mil habitantes) há uma política oficial de sesta para todos os funcionários públicos.
Nos EUA, as empresas "começaram igualmente a acordar" para a sesta. Na Nike, por exemplo, há uma área para dormir. E no sul de Espanha "vende-se" a sesta como um produto turístico - hotéis oferecem quartos a preços especiais.
Politicamente incorrecto
Para já, em Portugal, esta "é uma ideia que ainda é politicamente incorrecta", diz Manuel Patrício, administrador da Cimpomóvel Imobiliária. Numa altura em que se fala tanto de crise de produtividade, é difícil defender que se deve parar no horário laboral. Na sua empresa não se faz sesta, mas, ainda assim, associou-se à APAS porque acha que a associação tem um papel: "Fazer com que o politicamente incorrecto se torne politicamente correcto."
Tem acontecido aos poucos, acredita Prates Miguel. No ano passado, a APAS organizou em Estremoz um seminário que teve grande cobertura mediática. Entretanto disponibilizou um site que está a ser melhorado. E em algumas ocasiões emitiu alguns comunicados a defender o sono dos portugueses. A sesta, insiste o governador civil de Leiria, não tem nada a ver com preguiça.
Mas o preconceito existe. Celeste Gouveia, deputada do PS, sócia n.º 28, diz que não tem vida para sestas. Mesmo que a quisesse fazer, no Parlamento, o seu local de trabalho, não há as mínimas condições para que os deputados possam dormir. De resto, há o receio: "Vocês [jornalistas] escreviam logo: "Parlamento a ressonar"."
Já houve, no entanto, um tempo em que dormia na hora do calor sem medo do que dissessem: "Em Cabo Verde, onde passei a minha infância e adolescência, as distâncias são curtas, as pessoas saem do serviço, vão dar um pulo à praia, depois almoçam e dormem uma sesta e só depois voltam para o serviço completamente revigoradas."
Quem já viveu em África, como Eduardo Medeiros, antropólogo africanista, professor na Universidade de Évora - mais um sócio da APAS -, relata a mesma experiência. Em países como Angola e Moçambique, por exemplo, a sesta tem tradição. E no campo, no pico do calor, "não havia quem não estendesse a esteira para repousar". Ele adquiriu o hábito e durante anos não o dispensou. Hoje, infelizmente, "a netinha não deixa".
Apesar da sua condição de membro da APAS, o neurologista Ramalho Gonçalves relativiza a questão: "Não é taxativo que a sesta tenha uma importância fundamental no indivíduo adulto." As pessoas são todas diferentes e nem todas sentem necessidade ou gostam sequer de dormir de dia. Na primeira infância, a sesta é fundamental como o é para pessoas com doenças como a narcolepsia. Já quem sofre de enxaquecas pode acordar com dores de cabeça se dormir durante o dia, exemplifica Teresa Paiva.
Ainda assim, Ramalho Gonçalves não tem dúvidas que os portugueses dormem pouco, menos do que as sete, oito horas que seriam recomendáveis - "têm horários matinais iguais aos dos nórdicos e deitam-se à mesma hora que os espanhóis". E se todos os especialistas alertam para o facto de uma sesta não substituir noites consecutivas de pouco sono, a verdade é que "20 ou 30 minutos a dormir podem mesmo tornar uma tarde muito mais produtiva".

Klimt, As Damas (1912/13)
Zzzzzzzzzzzz... Queremos dormir a sesta
01.08.2007, Andreia Sanches, jornal "Público"
A Hungria pode vir a referendar uma lei da sesta. E em França, um ministro questionou recentemente: "Porque não dormir no trabalho?"
Em Portugal, deputados, artistas, governadores civis, presidentes de câmara fazem parte do clube dos Amigos da Sesta. E falam das vantagens. Os cientistas dizem que elas estão "provadas".
Prates Miguel, advogado e escritor, atende o telefone no seu escritório e confessa que está um bocado "irritadiço". A hora de almoço já lá vai e não conseguiu dormir a sesta - acontece-lhe muitas vezes, nomeadamente quando tem audiências no tribunal marcadas precisamente para aquela hora em que o corpo parece fraquejar e os olhos pesam. "Fico desequilibrado para o resto da dia se não durmo depois de almoço." Quando não tem julgamentos, é ali mesmo, no seu gabinete, que ocupa o sofá que costuma ser usado pelos seus clientes, cobre-se com uma manta e desliga. Uma hora, no máximo. Nem precisa de despertador. Por isso, quando se diz a Prates Miguel que na Hungria pode vir a realizar-se um referendo sobre o tema, ele rejubila.
Depois de se terem pronunciado sobre a adesão à Nato e à União Europeia, os húngaros poderão ser chamados, no próximo ano, a votar "sim" ou "não" à sesta. Esta semana, que coincide com uma sucessão de dias abrasadores no país, o Comité Nacional de Eleições tomou uma decisão. A pergunta - "Acha que o Parlamento da República da Hungria deve fazer uma lei para introduzir a sesta?" - tem pertinência e pode ser feita. Para que isso aconteça basta que sejam apresentadas 200 mil assinaturas a defender que a consulta popular deve ir para a frente.
Em Portugal, dormir no trabalho (pelo menos sem ser às escondidas) está longe de estar generalizado. O que é uma pena, lamenta um batalhão de fãs da sesta - e são já mais de 220 os sócios da Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta (APAS), fundada há quatro anos por Prates Miguel e pelo então deputado socialista José Miguel Medeiros, hoje governador civil de Leiria.
Acreditam que não é pela mudança na lei que se defende algo sem a qual vivem mal - uma pausa a meio da jornada - e portanto as suas propostas não passam por aí. "O que pretendemos é difundir a ideia de que a sesta é algo natural, que é uma forma de sermos mais felizes, pretendemos alertar para o ritmo alucinante em que vivemos e sensibilizar para a utilidade de disponibilizar nos espaços de trabalho locais onde as pessoas possam, se quiserem, descansar", explica Miguel Medeiros. "A sesta é um direito de quem trabalha".
Benefícios comprovados
Há alguns anos, a adega cooperativa de Vila Nova de Foz Côa chegou a instituir um horário de almoço mais alargado para os trabalhadores dormirem. Mas a ideia não teve grandes adeptos. José Cabaço, 43 anos, funcionário no armazém da cooperativa, nunca aproveitou a oportunidade. "Não sentia falta." E porque como ele pensavam outros colegas, o horário voltou ao normal e a meia hora livre que tinha sido acrescentada ao almoço (e que implicava que no final do dia se chegava meia hora mais tarde a casa) foi retirada.
Mas outros países aproveitam as virtudes de um breve sono retemperador, como lembra Teresa Paiva, neurologista e autora do primeiro mestrado do mundo em Medicina do Sono. No Japão há empresas que fornecem almofadas - ou salas de repouso - para os funcionários dormirem alguns minutos. Nos escritórios da Toyota, em Tóquio, por exemplo, as sestas depois de almoço tornaram-se frequentes.
"Os benefícios de uma sesta curta, de 20 ou 30 minutos, estão cientificamente comprovados. Há um melhor desempenho cognitivo", explica Teresa Paiva.
A sonolência do pós-almoço não é um mero acaso. É por volta das 14h que acontece a segunda maior quebra de temperatura corporal do dia (a primeira ocorre por volta das quatro da manhã). Daí a "moleza", como também se ouve chamar-lhe. Não é uma reacção ao calor que a essa hora aumenta no exterior. É o nosso "relógio biológico intrínseco a funcionar", diz a neurologista que não tem pejo em mandar "tudo o resto esperar", quando se sente cansada, para se deitar numa das camas do seu consultório e dormir um pouco.
Teresa Paiva desconstrói também outro mito: é essa quebra de temperatura corporal que, em primeira instância, provoca o sono, não é o almoço, como por vezes se pensa. Ainda que as refeições "também façam aumentar a sonolência".
Está escrito no nosso ADN
"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Ao longo da maior parte da nossa história, um período de descanso durante o dia era considerado uma componente tão necessária à existência humana como dormir à noite", escreve a investigadora do Salk Institute, na Califórnia. "Por volta do século I a.C. os romanos haviam dividido o dia em períodos designados para actividades específicas, como a oração, as refeições e o repouso. O meio-dia tornou-se conhecido por sexta, de sexta hora, um período em que todos iam para a cama. A palavra sobreviveu sob a forma que nos é familiar de sesta."
Mas "algures entre os séculos XIII e XV" os relógios mecânicos substituíram os de sol e água. Os trabalhadores começaram a ser remunerados à hora em vez de à tarefa. Dormir começou a ser encarado como um desperdício de tempo e de dinheiro. E o sono bifásico, continua Mednick, foi desaparecendo dos países mais desenvolvidos da Europa Setentrional à medida que a Revolução Industrial foi progredindo.
No Sul menos desenvolvido, ainda foi resistindo. Mas até a famosa siesta espanhola (siesta que também é rainha no México) tem enfrentado dificuldades. No final de 2005 foi publicada em Espanha uma lei que obriga a função pública a ter as 18h como hora limite de encerramento e que reduz a hora do almoço (esta fica limitada ao curto intervalo entre as 12h e as 13h, quando antes se estendia facilmente até às 16h30). O Governo alegou que não era bom os funcionários chegarem tão tarde a casa, ao fim do dia, para estar com a família. O Clube dos Empresários aplaudiu porque disse que a siesta custa caro ao país. Farão parte do grupo dos que não se deixam sensibilizar com argumentos como: Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Napoleão Bonaparte e Albert Einstein ficaram para a história... e dormiam a sesta.
Soares, amigo da sesta
A NASA, que concebeu um programa de sestas a bordo para melhorar o desempenho dos seus astronautas em voos de longo duração - programa esse que algumas companhias como a British Airways ou a Amtrak (EUA) adoptaram -, tem estudado o tema. E Mednick recorda que a instituição concluiu que pode haver um aumento de até 100 por cento do estado de vigília. E "permanecer vigilante é o mais importante factor condicionador de eficiência", seja para quem conduz ou analisa tendências de mercado.
Muitos dos sócios da APAS não estranham a afirmação. Garantem que conhecem por experiência própria os efeitos benéficos da sesta. Da lista dos que desde 2003 aderiram à causa fazem parte desde governadores civis, a médicos, escritores, cantores, actores, empresários, deputados, presidentes de câmara...
O antigo presidente da República Mário Soares é sócio honorário - "Ele não dispensa a sesta e não duvido que isso explique a sua energia", afirma o governador civil de Leiria, fundador e sócio n.º 2 da APAS. "A mim, bastam 20 minutos, meia hora para me sentir diferente. Faço-o no carro em viagem, porque o meu trabalho implica milhares de quilómetros em viagem e tenho motorista; ou no meu gabinete, na cadeira ou no sofá. Adapto-me muito facilmente às circunstâncias", continua Miguel Medeiros.
Há quem durma apenas alguns minutos, quem o faça depois de almoço e quem tenha hábitos menos ortodoxos, como o escritor Álvaro Magalhães: "Trabalho à noite. Por isso durmo a sesta (uma meia hora) depois de jantar, o que corresponde ao meu meio dia de trabalho. Depois recomeço e trabalho até às cinco da manhã." Com criatividade reforçada.
Sem pijama
No escritório, Álvaro Magalhães tem um sofá confortável. Não exige mais nada para descansar um bocadinho, "não há nenhum ritual", não precisa de vestir o pijama, ou apagar as luzes, ou estar em silêncio. Tudo isso fica para o sono a sério, quando põe um ponto final na escrita. Bem diferente do primeiro-ministro britânico Winston Churchill que dizia que a sesta verdadeira implicava mesmo despir a roupa e ir para a cama - o estadista acreditava que "a natureza não nos fez para trabalhar, nem mesmo para nos divertirmos, das oito da manhã à meia-noite".
Francisco Moita Flores, autarca de Santarém, também se associou à causa da APAS, mas confessa: "Infelizmente não posso cumprir com o apetite diário que tenho" de fazer uma pausa e descansar. Uma vez por semana, no máximo, consegue esticar-se no sofá, depois de almoço. Mas já houve tempos em que o fazia mais vezes. "Quando dava aulas na faculdade, às vezes, nos intervalos, dormia no gabinete." Quando acordava, sentia que produzia mais.
Com Sinde Filipe, actor, dormir a sesta é diferente. A sua ligação à APAS começou porque um dia fez uma telenovela onde encarnava um personagem "apologista" do sono a meio do dia. E quando na associação souberam que o seu gosto pelo mesmo era mais do que uma ficção, foi convidado a juntar-se ao grupo. "Às vezes é difícil. Mas sempre que posso faço-o."
Nos estúdios tenta arranjar um refúgio - nos cenários há sempre um sítio mais propício - para dormir nem que seja meia hora. "Enquanto os outros fumam, durmo. Depois acordo, tomo um café, sinto-me óptimo. Se houver um referendo cá voto já a favor... porque é muito melhor desligar um pouco, para dar o melhor depois da sesta, do que andar sonolento o dia inteiro."
O regresso da sesta?
Talvez esta tenha sido uma das razões que levou o ministro da Saúde de França (actual ministro do Trabalho), Xavier Bertrand, a apresentar, há uns meses, um plano destinado a melhorar a qualidade do sono dos franceses, nomeadamente promovendo acções de prevenção e de educação. Mas o governante foi mais longe: "Porque não dormir a sesta no trabalho?" - interrogou, defendendo que o tema não deve ser um tabu. Algumas empresas já permitem interrupções para dormir durante 15 minutos. E o ministro disse mesmo que ia estudar o assunto e podia vir a "promover o conceito".
Os britânicos estranharam: "Eles já têm 35 dias de férias" - escreveu The Daily Telegraph. Mas até no Reino Unido uma "organização" chamada a Siesta Awareness (que na verdade é constituída apenas por Noel Kingsley, professor) assinala, de há dois anos para cá, o dia nacional da sesta. "Culturalmente", diz, dormir não é aceite. Mas as coisas podem estar a mudar. Kingsley nota que o dia nacional da sesta tem suscitado grande atenção: "No último 11 de Julho dei 33 entrevistas a rádios e televisões."
Para Sara C. Mednick há sinais "encorajadores" que apontam para o fim da "tendência anti-sesta" sobretudo "nas nações mais industrializadas do Norte da Europa". Um estudo recente conclui que, na Alemanha, 22 por cento da população activa diz dormir a sua sesta pelo menos três vezes por semana. E numa visita à sua terra natal, a Dinamarca, Mednick descobriu que na cidade de Hillerod (com 37 mil habitantes) há uma política oficial de sesta para todos os funcionários públicos.
Nos EUA, as empresas "começaram igualmente a acordar" para a sesta. Na Nike, por exemplo, há uma área para dormir. E no sul de Espanha "vende-se" a sesta como um produto turístico - hotéis oferecem quartos a preços especiais.
Politicamente incorrecto
Para já, em Portugal, esta "é uma ideia que ainda é politicamente incorrecta", diz Manuel Patrício, administrador da Cimpomóvel Imobiliária. Numa altura em que se fala tanto de crise de produtividade, é difícil defender que se deve parar no horário laboral. Na sua empresa não se faz sesta, mas, ainda assim, associou-se à APAS porque acha que a associação tem um papel: "Fazer com que o politicamente incorrecto se torne politicamente correcto."
Tem acontecido aos poucos, acredita Prates Miguel. No ano passado, a APAS organizou em Estremoz um seminário que teve grande cobertura mediática. Entretanto disponibilizou um site que está a ser melhorado. E em algumas ocasiões emitiu alguns comunicados a defender o sono dos portugueses. A sesta, insiste o governador civil de Leiria, não tem nada a ver com preguiça.
Mas o preconceito existe. Celeste Gouveia, deputada do PS, sócia n.º 28, diz que não tem vida para sestas. Mesmo que a quisesse fazer, no Parlamento, o seu local de trabalho, não há as mínimas condições para que os deputados possam dormir. De resto, há o receio: "Vocês [jornalistas] escreviam logo: "Parlamento a ressonar"."
Já houve, no entanto, um tempo em que dormia na hora do calor sem medo do que dissessem: "Em Cabo Verde, onde passei a minha infância e adolescência, as distâncias são curtas, as pessoas saem do serviço, vão dar um pulo à praia, depois almoçam e dormem uma sesta e só depois voltam para o serviço completamente revigoradas."
Quem já viveu em África, como Eduardo Medeiros, antropólogo africanista, professor na Universidade de Évora - mais um sócio da APAS -, relata a mesma experiência. Em países como Angola e Moçambique, por exemplo, a sesta tem tradição. E no campo, no pico do calor, "não havia quem não estendesse a esteira para repousar". Ele adquiriu o hábito e durante anos não o dispensou. Hoje, infelizmente, "a netinha não deixa".
Apesar da sua condição de membro da APAS, o neurologista Ramalho Gonçalves relativiza a questão: "Não é taxativo que a sesta tenha uma importância fundamental no indivíduo adulto." As pessoas são todas diferentes e nem todas sentem necessidade ou gostam sequer de dormir de dia. Na primeira infância, a sesta é fundamental como o é para pessoas com doenças como a narcolepsia. Já quem sofre de enxaquecas pode acordar com dores de cabeça se dormir durante o dia, exemplifica Teresa Paiva.
Ainda assim, Ramalho Gonçalves não tem dúvidas que os portugueses dormem pouco, menos do que as sete, oito horas que seriam recomendáveis - "têm horários matinais iguais aos dos nórdicos e deitam-se à mesma hora que os espanhóis". E se todos os especialistas alertam para o facto de uma sesta não substituir noites consecutivas de pouco sono, a verdade é que "20 ou 30 minutos a dormir podem mesmo tornar uma tarde muito mais produtiva".
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Couch Surfing
Já sabem o que é surfar no sofá?
Couch surfing around the world
Morgan Palmer-Hubbard checks out the brave new world of couch surfing.
Telegraph Newspaper
You arrive in town, there's no room at the inn, and night is closing in. Suddenly a local appears, shows you his favourite restaurant round the corner, takes you home and puts you up for the night - maybe even invites some of his friends round for a few drinks…
It's the secret hope of every backpacker or single traveller: that you'll be able to experience the "authentic" life of a place when you arrive somewhere new. To meet locals, not just other travellers or souvenir-sellers; to leave your Lonely Planet beneath a pile of dirty clothes while you get the real deal out on the town. It doesn't matter whether you're in a city in New Zealand or a village in Peru, social connections make all the difference when it comes to travel.
A friendly smile goes a long way, of course. But these days it's not simply up to luck. A social networking website with some 240,000 members and counting, CouchSurfing.com, is paving the way for thousands of travellers of all ages across the world to leave the comfort of their own homes - and experience someone else's.
CouchSurfing.com offers a highly flexible range of experiences, from casually meeting someone for coffee and getting the lowdown on the nightlife, to staying in a spare bed and helping cook breakfast the next day. And if you're hardy enough literally to sleep on the sofa, those on a budget can potentially find lodgings all over the world.
Created in 2003 by Casey Fenton, a web consultant based in Alaska, the site was inspired by Fenton's own trip to Iceland. Unwilling to face the prospect of another characterless hotel room, he found hosts to stay with there via email. He was overwhelmed by their hospitality and on returning home began work on a service to facilitate connections between travellers and the beds they could potentially be sleeping in. After a year of trials, the site was opened to the public and Couch Surfing was born.
Despite its being an internet-based concept, it's not only developed nations with a high proportion of internet users who are getting in on the phenomenon; you can stay with fellow CouchSurfers as far afield as Kazakhstan, Guam and Madagascar. There are now more than 27,800 towns and cities represented on the database, and as word of mouth among travellers grows and site membership increases by more than 700 people a day, its coverage is quickly growing. Crucially, it is not solely the preserve of the young - the average age, predictably, is around 26, but there are members in their 60s, 70s and 80s.
Of course, the inherent anonymity of the internet means potential mischief-making is a consideration, and the site has been careful to develop safeguards. It runs a system of peer-review "vouching", whereby members who have already been vouched for can themselves vouch for other members they have met; conversely, anyone who garners negative references will quickly find requests for places to stay falling on deaf ears.
Hosts offering sofas and beds can also apply for address verification by the site's administrators. Those looking for a place to stay then have the option of filtering their searches according to the desired level of security. This shows good intentions, certainly, but the process of implementing the system is necessarily gradual and only about a fifth of members are currently vouched for.
So is the site succeeding in facilitating enjoyable - and safe - experiences? The statistics speak for themselves. With some 180,000 beds and sofas offered and more than 170,000 enthusiastic accounts recorded, the vast majority of CouchSurfer feedback is positive. It seems this simple social tool is attracting people from many walks of life who are genuinely interested in meeting others and helping to create unique experiences for the people staying with them.
"I can honestly say I've never had a problem," says passionate London-based CouchSurfer ReneMark Lelong. For hosts he suggests initially arranging to meet guests away from your home, looking carefully at the online profile of a potential guest - and trusting your instincts.
"It might be hard to understand how I could entrust my house keys to someone I've just met, unless you're a member. But it's like a sixth sense you develop… and everyone who has stayed with me through the site has just been a pleasure to host. It's not just about finding free accommodation… it affirms my faith in humanity."
Lelong was also one of the organisers of the successful "London Calling" social gathering over the last weekend of May that attracted Couch Surfers from six continents and strengthened the local community, too. Already there are plans for another in 2008. He sees the real strength of CouchSurfing.com as its members - especially the high proportion of members actively participating, hosting, and working to make the site better all the time.
The current Couch Surfing "Collective" in Rotterdam is focusing on technical aspects of the site's core function and improving developer support for the database. After a near-catastrophic system crash almost wiped it out last year, tech-savvy members rallied and resurrected the site, once again demonstrating the people power behind its success.
It's not a new idea per se - some readers will already be familiar with SERVAS - rather an idea whose time has come. CouchSurfing.com has taken advantage of the incredible connectivity now available to people and built a strong community on a shared vision of co-operative spirit and cultural exchange.
One site member calls it "an adventure of kindness" - and one Australian member was prompted to write that it was "responsible for my best travelling experiences ever." Becoming involved is the key. So get online, grab your bag, and catch a wave.
Couch surfing around the world
Morgan Palmer-Hubbard checks out the brave new world of couch surfing.
Telegraph Newspaper
You arrive in town, there's no room at the inn, and night is closing in. Suddenly a local appears, shows you his favourite restaurant round the corner, takes you home and puts you up for the night - maybe even invites some of his friends round for a few drinks…
It's the secret hope of every backpacker or single traveller: that you'll be able to experience the "authentic" life of a place when you arrive somewhere new. To meet locals, not just other travellers or souvenir-sellers; to leave your Lonely Planet beneath a pile of dirty clothes while you get the real deal out on the town. It doesn't matter whether you're in a city in New Zealand or a village in Peru, social connections make all the difference when it comes to travel.
A friendly smile goes a long way, of course. But these days it's not simply up to luck. A social networking website with some 240,000 members and counting, CouchSurfing.com, is paving the way for thousands of travellers of all ages across the world to leave the comfort of their own homes - and experience someone else's.
CouchSurfing.com offers a highly flexible range of experiences, from casually meeting someone for coffee and getting the lowdown on the nightlife, to staying in a spare bed and helping cook breakfast the next day. And if you're hardy enough literally to sleep on the sofa, those on a budget can potentially find lodgings all over the world.
Created in 2003 by Casey Fenton, a web consultant based in Alaska, the site was inspired by Fenton's own trip to Iceland. Unwilling to face the prospect of another characterless hotel room, he found hosts to stay with there via email. He was overwhelmed by their hospitality and on returning home began work on a service to facilitate connections between travellers and the beds they could potentially be sleeping in. After a year of trials, the site was opened to the public and Couch Surfing was born.
Despite its being an internet-based concept, it's not only developed nations with a high proportion of internet users who are getting in on the phenomenon; you can stay with fellow CouchSurfers as far afield as Kazakhstan, Guam and Madagascar. There are now more than 27,800 towns and cities represented on the database, and as word of mouth among travellers grows and site membership increases by more than 700 people a day, its coverage is quickly growing. Crucially, it is not solely the preserve of the young - the average age, predictably, is around 26, but there are members in their 60s, 70s and 80s.
Of course, the inherent anonymity of the internet means potential mischief-making is a consideration, and the site has been careful to develop safeguards. It runs a system of peer-review "vouching", whereby members who have already been vouched for can themselves vouch for other members they have met; conversely, anyone who garners negative references will quickly find requests for places to stay falling on deaf ears.
Hosts offering sofas and beds can also apply for address verification by the site's administrators. Those looking for a place to stay then have the option of filtering their searches according to the desired level of security. This shows good intentions, certainly, but the process of implementing the system is necessarily gradual and only about a fifth of members are currently vouched for.
So is the site succeeding in facilitating enjoyable - and safe - experiences? The statistics speak for themselves. With some 180,000 beds and sofas offered and more than 170,000 enthusiastic accounts recorded, the vast majority of CouchSurfer feedback is positive. It seems this simple social tool is attracting people from many walks of life who are genuinely interested in meeting others and helping to create unique experiences for the people staying with them.
"I can honestly say I've never had a problem," says passionate London-based CouchSurfer ReneMark Lelong. For hosts he suggests initially arranging to meet guests away from your home, looking carefully at the online profile of a potential guest - and trusting your instincts.
"It might be hard to understand how I could entrust my house keys to someone I've just met, unless you're a member. But it's like a sixth sense you develop… and everyone who has stayed with me through the site has just been a pleasure to host. It's not just about finding free accommodation… it affirms my faith in humanity."
Lelong was also one of the organisers of the successful "London Calling" social gathering over the last weekend of May that attracted Couch Surfers from six continents and strengthened the local community, too. Already there are plans for another in 2008. He sees the real strength of CouchSurfing.com as its members - especially the high proportion of members actively participating, hosting, and working to make the site better all the time.
The current Couch Surfing "Collective" in Rotterdam is focusing on technical aspects of the site's core function and improving developer support for the database. After a near-catastrophic system crash almost wiped it out last year, tech-savvy members rallied and resurrected the site, once again demonstrating the people power behind its success.
It's not a new idea per se - some readers will already be familiar with SERVAS - rather an idea whose time has come. CouchSurfing.com has taken advantage of the incredible connectivity now available to people and built a strong community on a shared vision of co-operative spirit and cultural exchange.
One site member calls it "an adventure of kindness" - and one Australian member was prompted to write that it was "responsible for my best travelling experiences ever." Becoming involved is the key. So get online, grab your bag, and catch a wave.
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