quinta-feira, 29 de novembro de 2007

2ª Petição: Massacre de Lisboa, em 1506.



Esta segunda petição, também relacionada com um caso de violação de direitos humanos, embora já acontecido no século XVI, serve para que não nos esqueçamos que o que aconteceu no passado se pode repetir no presente (e repetiu mesmo).

Pela criação de um Memorial às Vítimas da Intolerância

A 19, 20 e 21 de Abril de 1506, Lisboa foi palco do mais dramático e sanguinário episódio antijudaico de todos os que são conhecidos no nosso território, quando, por mera suspeita de professarem o judaísmo, foram barbaramente assassinados e queimados cerca de dois mil lisboetas.

Os acontecimentos tiveram início junto ao Convento de São Domingos (actual Largo de São Domingos) e culminaram em duas enormes fogueiras, no Rossio e na Ribeira, onde os crimes foram perpetrados.


Recentemente, um grupo de vereadores da C.M. de Lisboa avançou com a proposta de instalar na cidade, precisamente no Largo de S.Domingos, um «Memorial às Vítimas da Intolerância», monumento que seria evocativo do massacre de 1506, bem como de "todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias".

A deliberação final sobre essa proposta tinha sido inicialmente agendada para 31 de Outubro passado mas foi entretanto adiada «sine die», pelo que o Memorial a que ela se refere poderá mesmo não vir a ser edificado de todo.

Entendendo que se trata de uma iniciativa de grande alcance simbólico e que só peca por ser tardia, já que Abril de 2006, 500 anos decorridos sobre o acontecimento, teria sido a data ideal para o assinalar, foi disponibilizada na Internet a petição que aqui vos convido a subscrever.

Subscrever a petição

1ª Petição: Eng.ª Ana Sardinha

Acho importante divulgar duas petições que estão a decorrer, ligadas com casos de direitos humanos.

A primeira, diz respeito a Ana Sardinha, cidadã brasileira, engenheira civil de 38 anos. De modo muito resumido, esta senhora e o seu filho viajaram para Portugal, com passaportes e bilhete de ida e volta, para passarem em Portugal um mês. Ana Sardinha vinha a convite do namorado, Nuno Guilherme, ex-jogador de futebol do Benfica, na casa de quem iriam ficar.

No entanto, acabou por perceber que o relacionamento não poderia continuar, porque Nuno Guilherme não revelou carinho pelo seu filho, Guilherme. Resolve sair da residência sita em Alenquer, nas vésperas do seu retorno, e hospedar-se com seu filho num hotel em Lisboa, tempo suficiente para aguardar o voo internacional de volta ao Brasil.

Persuadida para tentar reatar o relacionamento, transferiu a data da viagem para o dia 5 de Julho de 2007. Neste dia, horas antes da partida, Leonardo passou a apresentar quadro convulsivo, sendo acudido por Ana Virgínia que, sozinha e sem a presença de pessoas conhecidas para ajudar, tentou prestar ao filho os primeiros socorros. Ao pedir ajuda a Nuno Guilherme, por telefone, presenciou a morte do seu único filho, sem conseguir ajudá-lo. Em desespero, tentou o suicídio, ficando em estado comatoso e de total desequilíbrio emocional.

O infortúnio que ceifou a vida de Leonardo ocorreu quando Ana Virgínia ministrou ao seu filho o remédio, diário e usual prescrito por uma médica neurologista brasileira, como tratamento para combater a enfermidade Convulsão Benigna da Infância, diagnosticada há um ano pela família.

A 5 de Julho de 2007, Ana Virginia após receber os primeiros socorros, ficou privada de sua liberdade, sendo decretada a sua prisão cautelar, sendo acusada de prática de homicídio qualificado, contra o seu próprio filho.

Na prisão de Tires, foi violentamente agredida pelas outras presas e encontra-se agora no Hospital Prisional São João de Deus, em Caxias.

Segundo as informações que constam no site brasileiro www.anavirginiasardinha.com.br, criado especificamente para divulgar este caso:
"Ana Virgínia foi mantida presa e incomunicável sem qualquer acusação formal. Em Portugal, nas férias forenses nada funciona, sem haver qualquer juiz ou promotor plantonista para conduzir o caso de Ana Virgínia vigorando ainda o sigilo processual que não permite acesso aos autos, nem por parte do advogado particular e credenciado pela OAP, constituído pela família. Até a presente data, o resultado de perícia médica realizada em Leonardo Brittes, ainda não foi divulgado, laudo este que não tem previsão de ser concluído". Ainda segundo a mesma fonte, "Neste mesmo hospital, diuturnamente sofreu tortura psicológica quando foi ameaçada de retornar ao mesmo Estabelecimento Prisional de Tires onde sofrera o atentado e que, necessariamente, já se prevê um revide" e "O Estabelecimento Prisional através de sua direção, escondeu o ocorrido, não comunicando o fato de tamanha gravidade sequer ao próprio advogado de Ana Virginia. A família teve ciência através de um telefonema desesperador dela mesma, somente uma semana depois do ataque sofrido e após recobrar a consciência".

Acho importante dizer que acredito que este caso tanto poderia ter acontecido com uma cidadã barsileira, como com outro cidadão de qualquer país, tal como o nosso próprio. Não podemos é fechar os olhos e cruzar os braços.

O António Serzedelo, editor do programa de rádio no qual participo, visitou-a na cadeia e aqui fica o seu "relatório":

Esta é a petição, que poderão assinar.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Duas recomendações

1ª recomendação:

Embora já esteja há onze anos em cena, só agora fui ver. Trata-se da peça "Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos!", mais coisa menos coisa.

Começam por nos explicar que o Shakespeare é o Gil Vicente dos ingleses. Depois vão por ali fora, contando de modo compactado as 30 e tal obras e, no final, vem a crítica à nossa sociedade.

Hilariante!

Galeria de Fotos

Blog

2ª recomendação:

Trata-se de um programa que passa na TSF, o "Viagens com Sons".
Ao longo de cada semana ficamos a conhecer vários aspectos que um turista ou viajante pode encontrar numa cidade ou região particular do globo. São crónicas de viagem com retratos apurados e cheiros sugeridos que nos levam à roda do mundo.

Acho que está muito bem feito.

Viagens com Sons

Trecho I - Parasitismo vs meritocracia

Há livros de que se gosta mais do que outros. Agora ando a ler um cujo autor, apesar de não ser propriamente um escritor, escreve bastante bem e me tem dado a conhecer alguns factos do passado do nosso país.

Já aqui coloquei um trecho e agora volto a colocar mais alguns, por concordar com o que ele diz.

Sim, eu sei, leio devagar, mas assim absorvo melhor :)

Ah, o livro chama-se "Memórias de um Rústico Erudito" e o autor é Raul Rosado Fernandes.

"Embarquei num avião da falecida Swissair, naquela altura uma companhia aérea florescente e da maior confiança, onde, para mais, se comia razoavelmente, mesmo na classe turística, que era a que eu me podia permitir. O luxo supérfluo ainda não tinha entrado, como hoje, nos hábitos dos portugueses, e ainda reinava o "produzir e poupar" do consulado do velho de Santa Comba Dão. Podia ter-se encontrado uma zona intermédia que evitasse o "não produzir e gastar" actual. Pagamos os custos de termos saído sem precauções do monopolismo vigiado de Salazar para entrarmos no monopolismo de cores partidárias e, portanto, no parasitismo longe da meritocracia".

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Cruzes, canhoto!!

É ver o vídeo...

By the way, adoro o Bruno Nogueira :)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Não há desculpas.

"De regresso a Londres, tomámos o caminho de Dover, o ferry boat para Calais, dormimos em Le Touquet Plage, já era Setembro, já estava a praia quase deserta, e fui despedir-me na estação de caminho-de-ferro da minha namorada alemã, que, nos meus planos, havia de me salvar do provincianismo lusitano. Ainda não sabia que a relutância se processa no nosso foro íntimo e que só pode ser combatida quando nos convencermos de que a realidade nunca será perfeita e de que a mediocridade que sentimos à nossa volta nunca poderá servir de escusa para a nossa própria mediocridade, nem para as frustrações individuais".

Raul Rosado Fernandes, "Memórias de um Rústico Erudito".

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Instead

São um grupo que se decompõe em vários outros. Descobri-os na versão covers (Hi-Five). Mas têm uma versão de originais, os Instead. Fico curiosa... será que vão "explodir" daqui por uns tempos? O lançamento do novo disco é em Dezembro (pelo menos é o que eles dizem).

Eu gostei!

Instead

Oh pá, cala-te!!

Depois de ter mandado calar a televisão privada na Venezuela, o pequeno ditador, é agora mandado calar por João Carlos, sujeitando-se ainda ao ridículo de ser tratado por Zapatero como uma criança, depois de este lhe ter explicado alguns princípios básicos da democracia.

Qué mal!

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Baby Grace vs Maddie

Parece que nos Estados Unidos aconteceu o caso inverso ao da Maddie. Foi encontrada numa praia do Texas uma criança que não se sabe quem é.
Na internet, em blogues e fóruns a pergunta é colocada várias vezes: poderá a Baby Grace ser a Maddie?

Artigo CNN

A blogger mais velha do Mundo

Quando alguém me diz que está velho de mais para isto ou para aquilo, começo logo a ficar com um nervoso miudinho. O preconceito e a inércia dos outros é o que não nos pode travar. Senão vejamos, a D. María Amelia López tem 95 anos e inicou-se há pouco tempo na blogosfera. Grande senhora!

O blogue é Amis95

Aqui fica também a reportagem do Público:

domingo, 4 de novembro de 2007

A arte do pó

2º trabalho

The Art of Dust

domingo, 28 de outubro de 2007

Porco no Espeto

Ou galinha...
Cada um tira uma lasquinha.



No dia 18 de Outubro assinalou-se o Dia Europeu Contra Tráfico Humano.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Coryn - 1º trabalho

Aqui ficam alguns trabalhos jornalísticos, que combinam fotografia e som. Muito bons.

Coryn

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

She's Like A Rainbow



Com música dos Rolling Stones.
Novo anúncio do Sony Bravia Play-Doh. Fallon

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Google Black

Quando o monitor está todo branco (uma página do Word, por exemplo), o computador consome cerca de 74 watts. Quando está todo preto, utiliza, em média, 59 watts. Partindo deste princípio, há alguns meses, Mark Ontkush escreveu um artigo sobre a economia que poderia ser feita se a página do Google possuísse um fundo preto em vez de branco.
Levando em conta a altíssima popularidade do site, seriam economizados, segundo os cálculos de Mark, cerca de 750 megawatts/hora por ano.
Em resposta ao post, o Google criou uma versão toda escura do seu search engine chamada www.blackle.com , que funciona exactamente igual à versão original, mas consome menos energia.

Para Portugal: http://pt.blackle.com

Carlos Paredes

Selecção de Portugal - Parte II

Verdes Anos

Adriana Calcanhotto

Seleccção do Brasil - Parte IV

Novo anúncio Coca-Cola

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Mariza @ David Letterman's Show

Seleccção de Portugal - Parte I

Só gostava de saber o que passa na cabeça dos americanos quando ouvem isto...

sábado, 13 de outubro de 2007

The Electric Six - Gay Bar

:))

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Aeroporto de Lisboa

Nos anos 50...
Ainda me lembro da rotunda do relógio assim, mas com a 2ª circular por cima.
Não vivi isto, mas tenho saudades :)

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Mensagem de Steve Jobs - Apple



Vale mesmo a pena partilhar esta história de vida.
Às vezes, há coisas que parecem mesmo ditas a pensar em nós...

Steve Jobs, CEO of Apple Computer and Pixar Animation Studios

Do What You Love: Time is Too Short to do Anything Else ...

Steve Jobs, CEO of Apple Computer and Pixar Animation Studios, delivered a truly inspirational commencement address to some 5,000 Stanford University graduates. Without further adieu, his message:

"I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.



Do What You Love: Time is Too Short to do Anything Else ...


Steve Jobs, CEO of Apple Computer and Pixar Animation Studios, delivered a truly inspirational commencement address to some 5,000 Stanford University graduates. Without further adieu, his message:

"I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.

The First Story is About Connecting the Dots

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife.

Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: 'We have an unexpected baby boy; do you want him?' They said: 'Of course.' My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents' savings were being spent on my college tuition.

After six months, I couldn't see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn't interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn't all romantic. I didn't have a dorm room, so I slept on the floor in friends' rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed.

Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it's likely that no personal computer would have them.

If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something--your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My Second Story is About Love and Loss.



Do What You Love: Time is Too Short to do Anything Else ...


Steve Jobs, CEO of Apple Computer and Pixar Animation Studios, delivered a truly inspirational commencement address to some 5,000 Stanford University graduates. Without further adieu, his message:

"I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.

The First Story is About Connecting the Dots.

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife.

Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: 'We have an unexpected baby boy; do you want him?' They said: 'Of course.' My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents' savings were being spent on my college tuition.

After six months, I couldn't see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn't interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn't all romantic. I didn't have a dorm room, so I slept on the floor in friends' rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed.

Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it's likely that no personal computer would have them.

If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something--your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My Second Story is About Love and Loss.

I was lucky--I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents' garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation--the Macintosh--a year earlier, and I had just turned 30.

And then I got fired.

How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.

I really didn't know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down--that I had dropped the baton as it was being passed to me.

I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me--I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.

Fired From Apple



Do What You Love: Time is Too Short to do Anything Else ...


Steve Jobs, CEO of Apple Computer and Pixar Animation Studios, delivered a truly inspirational commencement address to some 5,000 Stanford University graduates. Without further adieu, his message:

"I am honored to be with you today at your commencement from one of the finest universities in the world. I never graduated from college. Truth be told, this is the closest I've ever gotten to a college graduation. Today I want to tell you three stories from my life. That's it. No big deal. Just three stories.

The First Story is About Connecting the Dots.

I dropped out of Reed College after the first 6 months, but then stayed around as a drop-in for another 18 months or so before I really quit. So why did I drop out?

It started before I was born. My biological mother was a young, unwed college graduate student, and she decided to put me up for adoption. She felt very strongly that I should be adopted by college graduates, so everything was all set for me to be adopted at birth by a lawyer and his wife.

Except that when I popped out they decided at the last minute that they really wanted a girl. So my parents, who were on a waiting list, got a call in the middle of the night asking: 'We have an unexpected baby boy; do you want him?' They said: 'Of course.' My biological mother later found out that my mother had never graduated from college and that my father had never graduated from high school. She refused to sign the final adoption papers. She only relented a few months later when my parents promised that I would someday go to college.

And 17 years later I did go to college. But I naively chose a college that was almost as expensive as Stanford, and all of my working-class parents' savings were being spent on my college tuition.

After six months, I couldn't see the value in it. I had no idea what I wanted to do with my life and no idea how college was going to help me figure it out. And here I was spending all of the money my parents had saved their entire life. So I decided to drop out and trust that it would all work out OK. It was pretty scary at the time, but looking back it was one of the best decisions I ever made. The minute I dropped out I could stop taking the required classes that didn't interest me, and begin dropping in on the ones that looked interesting.

It wasn't all romantic. I didn't have a dorm room, so I slept on the floor in friends' rooms, I returned coke bottles for the 5¢ deposits to buy food with, and I would walk the 7 miles across town every Sunday night to get one good meal a week at the Hare Krishna temple. I loved it. And much of what I stumbled into by following my curiosity and intuition turned out to be priceless later on. Let me give you one example:

Reed College at that time offered perhaps the best calligraphy instruction in the country. Throughout the campus every poster, every label on every drawer, was beautifully hand calligraphed.

Because I had dropped out and didn't have to take the normal classes, I decided to take a calligraphy class to learn how to do this. I learned about serif and san serif typefaces, about varying the amount of space between different letter combinations, about what makes great typography great. It was beautiful, historical, artistically subtle in a way that science can't capture, and I found it fascinating.

None of this had even a hope of any practical application in my life. But ten years later, when we were designing the first Macintosh computer, it all came back to me. And we designed it all into the Mac. It was the first computer with beautiful typography. If I had never dropped in on that single course in college, the Mac would have never had multiple typefaces or proportionally spaced fonts. And since Windows just copied the Mac, it's likely that no personal computer would have them.

If I had never dropped out, I would have never dropped in on this calligraphy class, and personal computers might not have the wonderful typography that they do. Of course it was impossible to connect the dots looking forward when I was in college. But it was very, very clear looking backwards ten years later.

Again, you can't connect the dots looking forward; you can only connect them looking backwards. So you have to trust that the dots will somehow connect in your future. You have to trust in something--your gut, destiny, life, karma, whatever. This approach has never let me down, and it has made all the difference in my life.

My Second Story is About Love and Loss.

I was lucky--I found what I loved to do early in life. Woz and I started Apple in my parents' garage when I was 20. We worked hard, and in 10 years Apple had grown from just the two of us in a garage into a $2 billion company with over 4000 employees. We had just released our finest creation--the Macintosh--a year earlier, and I had just turned 30.

And then I got fired.

How can you get fired from a company you started? Well, as Apple grew we hired someone who I thought was very talented to run the company with me, and for the first year or so things went well. But then our visions of the future began to diverge and eventually we had a falling out. When we did, our Board of Directors sided with him. So at 30 I was out. And very publicly out. What had been the focus of my entire adult life was gone, and it was devastating.

I really didn't know what to do for a few months. I felt that I had let the previous generation of entrepreneurs down--that I had dropped the baton as it was being passed to me.

I met with David Packard and Bob Noyce and tried to apologize for screwing up so badly. I was a very public failure, and I even thought about running away from the valley. But something slowly began to dawn on me--I still loved what I did. The turn of events at Apple had not changed that one bit. I had been rejected, but I was still in love. And so I decided to start over.

Fired From Apple

I didn't see it then, but it turned out that getting fired from Apple was the best thing that could have ever happened to me. The heaviness of being successful was replaced by the lightness of being a beginner again, less sure about everything. It freed me to enter one of the most creative periods of my life.

During the next five years, I started a company named NeXT, another company named Pixar, and fell in love with an amazing woman who would become my wife. Pixar went on to create the world's first computer animated feature film, Toy Story, and is now the most successful animation studio in the world. In a remarkable turn of events, Apple bought NeXT, I returned to Apple, and the technology we developed at NeXT is at the heart of Apple's current renaissance. And Laurene and I have a wonderful family together.

I'm pretty sure none of this would have happened if I hadn't been fired from Apple. It was awful-tasting medicine, but I guess the patient needed it.

Sometimes life hits you in the head with a brick. Don't lose faith. I'm convinced that the only thing that kept me going was that I loved what I did. You've got to find what you love. And that is as true for your work as it is for your lovers.

Your work is going to fill a large part of your life, and the only way to be truly satisfied is to do what you believe is great work. And the only way to do great work is to love what you do. If you haven't found it yet, keep looking. Don't settle. As with all matters of the heart, you'll know when you find it. And, like any great relationship, it just gets better and better as the years roll on. So keep looking until you find it. Don't settle.

My Third Story is About Death.

When I was 17, I read a quote that went something like: 'If you live each day as if it was your last, someday you'll most certainly be right.'

It made an impression on me, and since then, for the past 33 years, I have looked in the mirror every morning and asked myself: 'If today were the last day of my life, would I want to do what I am about to do today?' And whenever the answer has been 'No' for too many days in a row, I know I need to change something.

Remembering that I'll be dead soon is the most important tool I've ever encountered to help me make the big choices in life. Because almost everything--all external expectations, all pride, all fear of embarrassment or failure--these things just fall away in the face of death, leaving only what is truly important. Remembering that you are going to die is the best way I know to avoid the trap of thinking you have something to lose. You are already naked. There is no reason not to follow your heart.

Diagnosed With Cancer

About a year ago I was diagnosed with cancer.

I had a scan at 7:30 in the morning, and it clearly showed a tumor on my pancreas. I didn't even know what a pancreas was. The doctors told me this was almost certainly a type of cancer that is incurable, and that I should expect to live no longer than three to six months.

My doctor advised me to go home and get my affairs in order, which is doctor's code for prepare to die. It means to try to tell your kids everything you thought you'd have the next 10 years to tell them in just a few months. It means to make sure everything is buttoned up so that it will be as easy as possible for your family. It means to say your goodbyes.

I lived with that diagnosis all day. Later that evening I had a biopsy, where they stuck an endoscope down my throat, through my stomach and into my intestines, put a needle into my pancreas and got a few cells from the tumor. I was sedated, but my wife, who was there, told me that when they viewed the cells under a microscope the doctors started crying because it turned out to be a very rare form of pancreatic cancer that is curable with surgery.

I had the surgery and I'm fine now.

This was the closest I've been to facing death, and I hope it's the closest I get for a few more decades. Having lived through it, I can now say this to you with a bit more certainty than when death was a useful but purely intellectual concept:

No one wants to die. Even people who want to go to heaven don't want to die to get there. And yet death is the destination we all share. No one has ever escaped it.

And that is as it should be, because Death is very likely the single best invention of Life. It is Life's change agent. It clears out the old to make way for the new. Right now the new is you, but someday not too long from now, you will gradually become the old and be cleared away. Sorry to be so dramatic, but it is quite true.

Your time is limited, so don't waste it living someone else's life. Don't be trapped by dogma--which is living with the results of other people's thinking. Don't let the noise of other's opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.

When I was young, there was an amazing publication called The Whole Earth Catalog, which was one of the bibles of my generation. It was created by a fellow named Stewart Brand not far from here in Menlo Park, and he brought it to life with his poetic touch.

This was in the late 1960s, before personal computers and desktop publishing, so it was all made with typewriters, scissors, and Polaroid cameras. It was sort of like Google in paperback form, 35 years before Google came along: it was idealistic, and overflowing with neat tools and great notions.

Stewart and his team put out several issues of The Whole Earth Catalog, and then when it had run its course, they put out a final issue.

It was the mid-1970s, and I was your age. On the back cover of their final issue was a photograph of an early morning country road, the kind you might find yourself hitchhiking on if you were so adventurous. Beneath it were the words: 'Stay Hungry. Stay Foolish.' It was their farewell message as they signed off. Stay Hungry. Stay Foolish. And I have always wished that for myself. And now, as you graduate to begin anew, I wish that for you.

Stay Hungry. Stay Foolish.

Thank you all very much."

domingo, 7 de outubro de 2007

Pavarotti - Nessun Dorma

Agora o Pavarotti ao vivo em Paris, em 1998.
Fantástico!



Il Principe:
Nessun dorma!... Nessun dorma!...
Tu pure, o Principessa,
nella tua fredda stanza
guardi le stelle che tremano
d'amore e di speranza!
Ma il mio mistero
è chiuso in me,
il nome mio nessun saprà!
No, no, sulla tua bocca lo dirò,
quando la luce splenderà!
Ed il mio bacio scoglierà
il silenzio che ti fa mia!

Coro donne:
Il nome suo nessun saprà...
E noi dovrem ahimè, morir, morir!...


Il Principe:
Dilegua, o notte! tramontate, stelle!
Tramontate, stelle! All'alba vincerò!
Vincerò! Vincerò!


Nessun Dorma

Turandot

Paul Potts

Britain's Got Talent
Paul Potts canta Nessun Dorma

Seguindo o conselho da minha fiel visitante, aqui vai.
Obrigada pela dica.
O júri até ficou parvo!

Elis Regina

Selecção Brasil - Parte III



segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Edu Lobo e Tom Jobim

Selecção Brasil - parte II

domingo, 30 de setembro de 2007

Vanessa da Mata

Selecção Brasil - parte I

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Santana Flopes

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Mulheres

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Hóstia!!

A revolução industrial chegou ao mosteiro...

Freiras da ilha Terceira passam a fazer hóstias à máquina

A produção manual de hóstias teve de ser substituída por máquinas industriais no Mosteiro da Senhora das Mercês, na ilha Terceira, nos Açores.
O Mosteiro da Senhora das Mercês fabrica semanalmente cerca de 60 mil unidades para responder às encomendas de várias ilhas, sendo um dos principais locais de produção de hóstias no arquipélago.
Desde a fundação do mosteiro, em 1977, que as irmãs clarissas se dedicam à confecção de hóstias para obter algum rendimento.
"Anteriormente, grande parte do trabalho era feito manualmente, dado que tínhamos umas máquinas antigas, mas agora com as máquinas novas é muito mais rápido e menos cansativo", explicou à Lusa a irmã Verónica, uma de dez religiosas, com idades entre os 29 e os 85 anos, que vivem no mosteiro em total clausura.
Por se tratar de uma ordem contemplativa e sem contacto com o mundo exterior, as irmãs clarissas recebem as encomendas por telefone. Podem ser adquiridos sacos de 50 hóstias (3 euros), 500 (3,5 euros) ou 1000 hóstias (7 euros), que são depois enviados pelo correio para as paróquias.


Pablo Picasso, "Ciência e Caridade" (1897)

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Sesta

Para quem como eu gosta de dormir a sesta, aqui vão óptimas justificações.



Klimt, As Damas (1912/13)


Zzzzzzzzzzzz... Queremos dormir a sesta

01.08.2007, Andreia Sanches, jornal "Público"


A Hungria pode vir a referendar uma lei da sesta. E em França, um ministro questionou recentemente: "Porque não dormir no trabalho?"
Em Portugal, deputados, artistas, governadores civis, presidentes de câmara fazem parte do clube dos Amigos da Sesta. E falam das vantagens. Os cientistas dizem que elas estão "provadas".

Prates Miguel, advogado e escritor, atende o telefone no seu escritório e confessa que está um bocado "irritadiço". A hora de almoço já lá vai e não conseguiu dormir a sesta - acontece-lhe muitas vezes, nomeadamente quando tem audiências no tribunal marcadas precisamente para aquela hora em que o corpo parece fraquejar e os olhos pesam. "Fico desequilibrado para o resto da dia se não durmo depois de almoço." Quando não tem julgamentos, é ali mesmo, no seu gabinete, que ocupa o sofá que costuma ser usado pelos seus clientes, cobre-se com uma manta e desliga. Uma hora, no máximo. Nem precisa de despertador. Por isso, quando se diz a Prates Miguel que na Hungria pode vir a realizar-se um referendo sobre o tema, ele rejubila.
Depois de se terem pronunciado sobre a adesão à Nato e à União Europeia, os húngaros poderão ser chamados, no próximo ano, a votar "sim" ou "não" à sesta. Esta semana, que coincide com uma sucessão de dias abrasadores no país, o Comité Nacional de Eleições tomou uma decisão. A pergunta - "Acha que o Parlamento da República da Hungria deve fazer uma lei para introduzir a sesta?" - tem pertinência e pode ser feita. Para que isso aconteça basta que sejam apresentadas 200 mil assinaturas a defender que a consulta popular deve ir para a frente.

Em Portugal, dormir no trabalho (pelo menos sem ser às escondidas) está longe de estar generalizado. O que é uma pena, lamenta um batalhão de fãs da sesta - e são já mais de 220 os sócios da Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta (APAS), fundada há quatro anos por Prates Miguel e pelo então deputado socialista José Miguel Medeiros, hoje governador civil de Leiria.
Acreditam que não é pela mudança na lei que se defende algo sem a qual vivem mal - uma pausa a meio da jornada - e portanto as suas propostas não passam por aí. "O que pretendemos é difundir a ideia de que a sesta é algo natural, que é uma forma de sermos mais felizes, pretendemos alertar para o ritmo alucinante em que vivemos e sensibilizar para a utilidade de disponibilizar nos espaços de trabalho locais onde as pessoas possam, se quiserem, descansar", explica Miguel Medeiros. "A sesta é um direito de quem trabalha".

Benefícios comprovados

Há alguns anos, a adega cooperativa de Vila Nova de Foz Côa chegou a instituir um horário de almoço mais alargado para os trabalhadores dormirem. Mas a ideia não teve grandes adeptos. José Cabaço, 43 anos, funcionário no armazém da cooperativa, nunca aproveitou a oportunidade. "Não sentia falta." E porque como ele pensavam outros colegas, o horário voltou ao normal e a meia hora livre que tinha sido acrescentada ao almoço (e que implicava que no final do dia se chegava meia hora mais tarde a casa) foi retirada.
Mas outros países aproveitam as virtudes de um breve sono retemperador, como lembra Teresa Paiva, neurologista e autora do primeiro mestrado do mundo em Medicina do Sono. No Japão há empresas que fornecem almofadas - ou salas de repouso - para os funcionários dormirem alguns minutos. Nos escritórios da Toyota, em Tóquio, por exemplo, as sestas depois de almoço tornaram-se frequentes.
"Os benefícios de uma sesta curta, de 20 ou 30 minutos, estão cientificamente comprovados. Há um melhor desempenho cognitivo", explica Teresa Paiva.

A sonolência do pós-almoço não é um mero acaso. É por volta das 14h que acontece a segunda maior quebra de temperatura corporal do dia (a primeira ocorre por volta das quatro da manhã). Daí a "moleza", como também se ouve chamar-lhe. Não é uma reacção ao calor que a essa hora aumenta no exterior. É o nosso "relógio biológico intrínseco a funcionar", diz a neurologista que não tem pejo em mandar "tudo o resto esperar", quando se sente cansada, para se deitar numa das camas do seu consultório e dormir um pouco.
Teresa Paiva desconstrói também outro mito: é essa quebra de temperatura corporal que, em primeira instância, provoca o sono, não é o almoço, como por vezes se pensa. Ainda que as refeições "também façam aumentar a sonolência".

Está escrito no nosso ADN

"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Somos o único animal que não tem na idade adulta um sono polifásico", continua a neurologista. Ou seja, dormimos tudo de uma vez, em regra à noite, o que segundo Sara C. Mednick, que escreveu o livro Faça a sesta. Mude a sua vida! (que acaba de ser publicado em Portugal pela a Bizâncio), contraria algo que "está escrito no nosso ADN".
"Ao longo da maior parte da nossa história, um período de descanso durante o dia era considerado uma componente tão necessária à existência humana como dormir à noite", escreve a investigadora do Salk Institute, na Califórnia. "Por volta do século I a.C. os romanos haviam dividido o dia em períodos designados para actividades específicas, como a oração, as refeições e o repouso. O meio-dia tornou-se conhecido por sexta, de sexta hora, um período em que todos iam para a cama. A palavra sobreviveu sob a forma que nos é familiar de sesta."
Mas "algures entre os séculos XIII e XV" os relógios mecânicos substituíram os de sol e água. Os trabalhadores começaram a ser remunerados à hora em vez de à tarefa. Dormir começou a ser encarado como um desperdício de tempo e de dinheiro. E o sono bifásico, continua Mednick, foi desaparecendo dos países mais desenvolvidos da Europa Setentrional à medida que a Revolução Industrial foi progredindo.
No Sul menos desenvolvido, ainda foi resistindo. Mas até a famosa siesta espanhola (siesta que também é rainha no México) tem enfrentado dificuldades. No final de 2005 foi publicada em Espanha uma lei que obriga a função pública a ter as 18h como hora limite de encerramento e que reduz a hora do almoço (esta fica limitada ao curto intervalo entre as 12h e as 13h, quando antes se estendia facilmente até às 16h30). O Governo alegou que não era bom os funcionários chegarem tão tarde a casa, ao fim do dia, para estar com a família. O Clube dos Empresários aplaudiu porque disse que a siesta custa caro ao país. Farão parte do grupo dos que não se deixam sensibilizar com argumentos como: Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Napoleão Bonaparte e Albert Einstein ficaram para a história... e dormiam a sesta.

Soares, amigo da sesta

A NASA, que concebeu um programa de sestas a bordo para melhorar o desempenho dos seus astronautas em voos de longo duração - programa esse que algumas companhias como a British Airways ou a Amtrak (EUA) adoptaram -, tem estudado o tema. E Mednick recorda que a instituição concluiu que pode haver um aumento de até 100 por cento do estado de vigília. E "permanecer vigilante é o mais importante factor condicionador de eficiência", seja para quem conduz ou analisa tendências de mercado.
Muitos dos sócios da APAS não estranham a afirmação. Garantem que conhecem por experiência própria os efeitos benéficos da sesta. Da lista dos que desde 2003 aderiram à causa fazem parte desde governadores civis, a médicos, escritores, cantores, actores, empresários, deputados, presidentes de câmara...
O antigo presidente da República Mário Soares é sócio honorário - "Ele não dispensa a sesta e não duvido que isso explique a sua energia", afirma o governador civil de Leiria, fundador e sócio n.º 2 da APAS. "A mim, bastam 20 minutos, meia hora para me sentir diferente. Faço-o no carro em viagem, porque o meu trabalho implica milhares de quilómetros em viagem e tenho motorista; ou no meu gabinete, na cadeira ou no sofá. Adapto-me muito facilmente às circunstâncias", continua Miguel Medeiros.
Há quem durma apenas alguns minutos, quem o faça depois de almoço e quem tenha hábitos menos ortodoxos, como o escritor Álvaro Magalhães: "Trabalho à noite. Por isso durmo a sesta (uma meia hora) depois de jantar, o que corresponde ao meu meio dia de trabalho. Depois recomeço e trabalho até às cinco da manhã." Com criatividade reforçada.

Sem pijama

No escritório, Álvaro Magalhães tem um sofá confortável. Não exige mais nada para descansar um bocadinho, "não há nenhum ritual", não precisa de vestir o pijama, ou apagar as luzes, ou estar em silêncio. Tudo isso fica para o sono a sério, quando põe um ponto final na escrita. Bem diferente do primeiro-ministro britânico Winston Churchill que dizia que a sesta verdadeira implicava mesmo despir a roupa e ir para a cama - o estadista acreditava que "a natureza não nos fez para trabalhar, nem mesmo para nos divertirmos, das oito da manhã à meia-noite".
Francisco Moita Flores, autarca de Santarém, também se associou à causa da APAS, mas confessa: "Infelizmente não posso cumprir com o apetite diário que tenho" de fazer uma pausa e descansar. Uma vez por semana, no máximo, consegue esticar-se no sofá, depois de almoço. Mas já houve tempos em que o fazia mais vezes. "Quando dava aulas na faculdade, às vezes, nos intervalos, dormia no gabinete." Quando acordava, sentia que produzia mais.
Com Sinde Filipe, actor, dormir a sesta é diferente. A sua ligação à APAS começou porque um dia fez uma telenovela onde encarnava um personagem "apologista" do sono a meio do dia. E quando na associação souberam que o seu gosto pelo mesmo era mais do que uma ficção, foi convidado a juntar-se ao grupo. "Às vezes é difícil. Mas sempre que posso faço-o."
Nos estúdios tenta arranjar um refúgio - nos cenários há sempre um sítio mais propício - para dormir nem que seja meia hora. "Enquanto os outros fumam, durmo. Depois acordo, tomo um café, sinto-me óptimo. Se houver um referendo cá voto já a favor... porque é muito melhor desligar um pouco, para dar o melhor depois da sesta, do que andar sonolento o dia inteiro."

O regresso da sesta?

Talvez esta tenha sido uma das razões que levou o ministro da Saúde de França (actual ministro do Trabalho), Xavier Bertrand, a apresentar, há uns meses, um plano destinado a melhorar a qualidade do sono dos franceses, nomeadamente promovendo acções de prevenção e de educação. Mas o governante foi mais longe: "Porque não dormir a sesta no trabalho?" - interrogou, defendendo que o tema não deve ser um tabu. Algumas empresas já permitem interrupções para dormir durante 15 minutos. E o ministro disse mesmo que ia estudar o assunto e podia vir a "promover o conceito".
Os britânicos estranharam: "Eles já têm 35 dias de férias" - escreveu The Daily Telegraph. Mas até no Reino Unido uma "organização" chamada a Siesta Awareness (que na verdade é constituída apenas por Noel Kingsley, professor) assinala, de há dois anos para cá, o dia nacional da sesta. "Culturalmente", diz, dormir não é aceite. Mas as coisas podem estar a mudar. Kingsley nota que o dia nacional da sesta tem suscitado grande atenção: "No último 11 de Julho dei 33 entrevistas a rádios e televisões."
Para Sara C. Mednick há sinais "encorajadores" que apontam para o fim da "tendência anti-sesta" sobretudo "nas nações mais industrializadas do Norte da Europa". Um estudo recente conclui que, na Alemanha, 22 por cento da população activa diz dormir a sua sesta pelo menos três vezes por semana. E numa visita à sua terra natal, a Dinamarca, Mednick descobriu que na cidade de Hillerod (com 37 mil habitantes) há uma política oficial de sesta para todos os funcionários públicos.
Nos EUA, as empresas "começaram igualmente a acordar" para a sesta. Na Nike, por exemplo, há uma área para dormir. E no sul de Espanha "vende-se" a sesta como um produto turístico - hotéis oferecem quartos a preços especiais.

Politicamente incorrecto

Para já, em Portugal, esta "é uma ideia que ainda é politicamente incorrecta", diz Manuel Patrício, administrador da Cimpomóvel Imobiliária. Numa altura em que se fala tanto de crise de produtividade, é difícil defender que se deve parar no horário laboral. Na sua empresa não se faz sesta, mas, ainda assim, associou-se à APAS porque acha que a associação tem um papel: "Fazer com que o politicamente incorrecto se torne politicamente correcto."
Tem acontecido aos poucos, acredita Prates Miguel. No ano passado, a APAS organizou em Estremoz um seminário que teve grande cobertura mediática. Entretanto disponibilizou um site que está a ser melhorado. E em algumas ocasiões emitiu alguns comunicados a defender o sono dos portugueses. A sesta, insiste o governador civil de Leiria, não tem nada a ver com preguiça.
Mas o preconceito existe. Celeste Gouveia, deputada do PS, sócia n.º 28, diz que não tem vida para sestas. Mesmo que a quisesse fazer, no Parlamento, o seu local de trabalho, não há as mínimas condições para que os deputados possam dormir. De resto, há o receio: "Vocês [jornalistas] escreviam logo: "Parlamento a ressonar"."
Já houve, no entanto, um tempo em que dormia na hora do calor sem medo do que dissessem: "Em Cabo Verde, onde passei a minha infância e adolescência, as distâncias são curtas, as pessoas saem do serviço, vão dar um pulo à praia, depois almoçam e dormem uma sesta e só depois voltam para o serviço completamente revigoradas."
Quem já viveu em África, como Eduardo Medeiros, antropólogo africanista, professor na Universidade de Évora - mais um sócio da APAS -, relata a mesma experiência. Em países como Angola e Moçambique, por exemplo, a sesta tem tradição. E no campo, no pico do calor, "não havia quem não estendesse a esteira para repousar". Ele adquiriu o hábito e durante anos não o dispensou. Hoje, infelizmente, "a netinha não deixa".
Apesar da sua condição de membro da APAS, o neurologista Ramalho Gonçalves relativiza a questão: "Não é taxativo que a sesta tenha uma importância fundamental no indivíduo adulto." As pessoas são todas diferentes e nem todas sentem necessidade ou gostam sequer de dormir de dia. Na primeira infância, a sesta é fundamental como o é para pessoas com doenças como a narcolepsia. Já quem sofre de enxaquecas pode acordar com dores de cabeça se dormir durante o dia, exemplifica Teresa Paiva.
Ainda assim, Ramalho Gonçalves não tem dúvidas que os portugueses dormem pouco, menos do que as sete, oito horas que seriam recomendáveis - "têm horários matinais iguais aos dos nórdicos e deitam-se à mesma hora que os espanhóis". E se todos os especialistas alertam para o facto de uma sesta não substituir noites consecutivas de pouco sono, a verdade é que "20 ou 30 minutos a dormir podem mesmo tornar uma tarde muito mais produtiva".

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Couch Surfing

Já sabem o que é surfar no sofá?

Couch surfing around the world

Morgan Palmer-Hubbard checks out the brave new world of couch surfing.

Telegraph Newspaper

You arrive in town, there's no room at the inn, and night is closing in. Suddenly a local appears, shows you his favourite restaurant round the corner, takes you home and puts you up for the night - maybe even invites some of his friends round for a few drinks…

It's the secret hope of every backpacker or single traveller: that you'll be able to experience the "authentic" life of a place when you arrive somewhere new. To meet locals, not just other travellers or souvenir-sellers; to leave your Lonely Planet beneath a pile of dirty clothes while you get the real deal out on the town. It doesn't matter whether you're in a city in New Zealand or a village in Peru, social connections make all the difference when it comes to travel.

A friendly smile goes a long way, of course. But these days it's not simply up to luck. A social networking website with some 240,000 members and counting, CouchSurfing.com, is paving the way for thousands of travellers of all ages across the world to leave the comfort of their own homes - and experience someone else's.

CouchSurfing.com offers a highly flexible range of experiences, from casually meeting someone for coffee and getting the lowdown on the nightlife, to staying in a spare bed and helping cook breakfast the next day. And if you're hardy enough literally to sleep on the sofa, those on a budget can potentially find lodgings all over the world.

Created in 2003 by Casey Fenton, a web consultant based in Alaska, the site was inspired by Fenton's own trip to Iceland. Unwilling to face the prospect of another characterless hotel room, he found hosts to stay with there via email. He was overwhelmed by their hospitality and on returning home began work on a service to facilitate connections between travellers and the beds they could potentially be sleeping in. After a year of trials, the site was opened to the public and Couch Surfing was born.

Despite its being an internet-based concept, it's not only developed nations with a high proportion of internet users who are getting in on the phenomenon; you can stay with fellow CouchSurfers as far afield as Kazakhstan, Guam and Madagascar. There are now more than 27,800 towns and cities represented on the database, and as word of mouth among travellers grows and site membership increases by more than 700 people a day, its coverage is quickly growing. Crucially, it is not solely the preserve of the young - the average age, predictably, is around 26, but there are members in their 60s, 70s and 80s.

Of course, the inherent anonymity of the internet means potential mischief-making is a consideration, and the site has been careful to develop safeguards. It runs a system of peer-review "vouching", whereby members who have already been vouched for can themselves vouch for other members they have met; conversely, anyone who garners negative references will quickly find requests for places to stay falling on deaf ears.

Hosts offering sofas and beds can also apply for address verification by the site's administrators. Those looking for a place to stay then have the option of filtering their searches according to the desired level of security. This shows good intentions, certainly, but the process of implementing the system is necessarily gradual and only about a fifth of members are currently vouched for.

So is the site succeeding in facilitating enjoyable - and safe - experiences? The statistics speak for themselves. With some 180,000 beds and sofas offered and more than 170,000 enthusiastic accounts recorded, the vast majority of CouchSurfer feedback is positive. It seems this simple social tool is attracting people from many walks of life who are genuinely interested in meeting others and helping to create unique experiences for the people staying with them.

"I can honestly say I've never had a problem," says passionate London-based CouchSurfer ReneMark Lelong. For hosts he suggests initially arranging to meet guests away from your home, looking carefully at the online profile of a potential guest - and trusting your instincts.

"It might be hard to understand how I could entrust my house keys to someone I've just met, unless you're a member. But it's like a sixth sense you develop… and everyone who has stayed with me through the site has just been a pleasure to host. It's not just about finding free accommodation… it affirms my faith in humanity."

Lelong was also one of the organisers of the successful "London Calling" social gathering over the last weekend of May that attracted Couch Surfers from six continents and strengthened the local community, too. Already there are plans for another in 2008. He sees the real strength of CouchSurfing.com as its members - especially the high proportion of members actively participating, hosting, and working to make the site better all the time.

The current Couch Surfing "Collective" in Rotterdam is focusing on technical aspects of the site's core function and improving developer support for the database. After a near-catastrophic system crash almost wiped it out last year, tech-savvy members rallied and resurrected the site, once again demonstrating the people power behind its success.

It's not a new idea per se - some readers will already be familiar with SERVAS - rather an idea whose time has come. CouchSurfing.com has taken advantage of the incredible connectivity now available to people and built a strong community on a shared vision of co-operative spirit and cultural exchange.

One site member calls it "an adventure of kindness" - and one Australian member was prompted to write that it was "responsible for my best travelling experiences ever." Becoming involved is the key. So get online, grab your bag, and catch a wave.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Wired Living Homes

Cliquem nos quadrados

Este é um projecto da Wired e da Living Homes para uma casa "verde".
É prefabricada e demora apenas um dia a construir.
O objectivo é reduzir o custo e o desperdício. Tudo pela módica quantia de 4 milhões de dólares.

Wired Living Home

The Hidden Persuader

O blogue de Sérgio Henrique Santos está na 67ª posição dos melhores blogues de marketing e publicidade de língua inglesa - "Power 150 - Top Marketing Blogs"


The Hidden Persuader

Animais

Spot da Amnistia Internacional, feito por uma empresa portuguesa.

domingo, 29 de julho de 2007

Life Speculatrix

Mais uma portuguesa a brilhar lá fora. A arquitecta Nancy Diniz apresentou este projecto num simpósio em Yokoama, na semana passada.






As alavancas mexem em linha, em coluna, cima baixo, esquerda direita e vice versa e ligam, também, aleatoriamente.
Tem um programa, por trás, que combina esses efeitos e determina se as pessoas estão a gostar da combinação, utilizando uma web cam.
Depois vai evoluindo de maneira a maximizar a aprovação dos espectadores. Tem um site ao lado com uma simulação da parede onde clicas se gostas ou não do que a parede está a fazer.
Very conceptual!


Life Speculatrix

"Life Speculatrix" is an evolutionary physical skin based on feedback retrieved locally and globally. Locally it responds to sound, light and proximity of people around it. Globally it responds to RSS/Atom environmental feeds retrieved through the webspace: pollution levels, climate features, sound, from around the world will affect its performance continually. With this experiment we argue that a human computer interface framework has to include the phenomenological environmental matrix and the complexity of human input in order to create a truly living interactive experience and not just a detached interactive art device. We will observe the “evolution” of this piece according to different stimuli, give it our feedback and observe how it learns to adapt itself continually to the evolutionary properties of the environment, thus becoming a universal situated living piece. All the necessary and sufficient conditions are therefore present for a “hidden dimension” to be added to a global/local phenomenology and a poetics of visual space.



A Dislocate é uma feira de arte tecnológica no Japão e Kiowa Project Space é o espaço onde estão as obras.

Qual foi a sina?


Infelizmente, não sei o que aconteceu a Sina Paymard. No site da Amnistia Internacional não aparece mais nada.

Imagine...

Windows Theatre

Clica aqui. E não aumentes a janela.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Triste Sina

Há uns tempos coloquei aqui post sobre a execução de crianças no Irão.
O último executor de crianças

Hoje soube que o Sina Paymard, de 18 anos, está à espera de um "quarto milagre". Tudo não passa agora de um negócio sobre o valor do "dinheiro de sangue" que terá de ser pago pela sua família em troca da sua vida.

À espera do quarto milagre

Fernando Sousa, jornal "Público"

Nalguns países islâmicos, um condenado à morte por assassínio pode ver a sentença perdoada se a família pagar por ele o que a da vítima exige; de outro modo só pode esperar um milagre. Neste caso, ele vem a caminho.

Sina Paymard, 18 anos, viu adiada a sua execução no ano passado depois de ter tocado a sua flauta mágica. Devia morrer amanhã, na prisão de Evin, em Teerão, tão longe que já vai o som da sua ney.

Mas um homem de negócios apareceu de repente e pagou o que os familiares do rapaz que ele matou exigiam para não retaliar. Já só falta que digam "sim" ao negócio - o prazo acaba amanhã.

O jovem, músico, tropeçou na lei numa arruaça de rua num dia aziago de 2004. Sabe-se pouco e mal do que aconteceu. A Amnistia Internacional, que se desdobra há meses em apelos pela sua vida, não conta como foi. Parece que houve uma zaragata. E que na luta ele matou outro rapaz, um traficante de droga. E foi preso e julgado pelos implacáveis mullahs.

Condenado em primeira instância, Sina apelou para a mais alta de todas, o Supremo Tribunal, mas perdeu. Os juízes puseram-se de acordo sobre o crime de qesas, que importa um castigo equivalente ao delito cometido nos termos do código penal da República Islâmica do Irão. Quer dizer, matou portanto teria de morrer também.

Primeiro milagre

No dia da execução, 20 de Setembro de 2006, duas semanas depois de ter feito 18 anos, houve uma espécie de milagre. Não completamente, mas quase. Já com o sorgo à volta do pescoço e pronto para subir ao patíbulo, sob o olhar da sua família e da da vítima, os verdugos perguntaram-lhe se tinha uma última vontade. E ele, que sim. E eles, qual era. E ele, que era tocar uma última vez a sua ney.

Na tradição sufi, a flauta ney representa o "sopro original da Criação". Ao tocá-la, o músico sugere o acto do amor real, o amor do Criador concedido ao ser humano. O seu som canta a dor da separação daquele que ama a Deus do próprio Deus.

Sina tocou, tocou e o som cavo da cana perfurada, triste, abatido, semelhante a um lamento, tocou todos os presentes, incluindo os familiares da vítima que acederam a adiar a execução e a perdoar a vida ao condenado em troca da diya, o "dinheiro de sangue", que nalguns países de leis islâmicas é a diferença entre a vida e a morte. O preço logo se veria - seria negociado entre as duas partes.

Em Janeiro, as famílias ainda discutiam, e o Supremo voltou a adiar a execução mais quatro meses para que se entendessem, o que não conseguiram. O diálogo acabou em Abril. A família da vítima pediu uma avultada soma em reais equivalente a 160 mil dólares (116.500 euros), mais do dobro do que a do rapaz juntara depois de vender tudo o que tinha: 70 mil. E no dia 17 de Julho, ele foi levado da prisão de Reja"i Shahr, de Karak, para a de Evin, em Teerão, a mais tenebrosa do país, desde o tempos do Xá Reza Palevi, para ser enforcado, o que de novo não aconteceu.

Foi a emoção, a confusão, no relato do jornal iraniano Sarmayeh. Era madrugada. Sina não deveria ver o nascer do sol. Às 3h45 a família da vítima chegou para assistir ao enforcamento. Logo, activistas dos direitos humanos e os familiares do rapaz tentaram convencê-la a indultá-lo - podia fazê-lo. Ela não cedeu. A poucos minutos dele ser enforcado, a mãe desmaiou. Quinze depois, um guarda saiu da prisão para anunciar que a execução fora adiada pelo presidente do Supremo Tribunal, ayatollah Shahroudi, por dez dias, para as duas partes chegarem a um acordo, o que deverá acontecer entre hoje e amanhã - o fim do prazo.

Quarta-feita, impressionado com a desventura de Sina, um benemérito já com outras acções do género no seu passado, pagou o que faltava. "A soma remanescente [...] foi doada pelo doutor Rassoul Ganji, um homem de negócios e professor universitário. Não é a primeira vez que ele paga para salvar alguém de uma execução", disse o advogado do jovem, Narin Sotudeh, citado pela AFP, anunciando que vai recorrer a tudo o que a lei lhe permite para cancelar a pena.

Um crime qesas é um crime que arrasta, na Sharia, o direito de retaliação. Se uma pessoa comete um crime dessa natureza, a parte ofendida tem o direito a uma retribuição pecuniária ou a retaliar. Foi o que aconteceu no caso de Sina Paymard.

Origem da diya

O códice islâmico influencia a maior parte das leis dos países muçulmanos. Mas nem todos o adoptaram da mesma maneira. As diferenças podem ser enormes. A secular Turquia, que não assenta o seu sistema no Corão, chegou mesmo a legislar contra o uso do véu tradicional das mulheres contra o que é comum ver noutros Estados. A fundamentalista Arábia Saudita fez do livro sagrado dos muçulmanos a sua Constituição. O Irão pôs nas mãos dos mullahs, expressão que significa, entre os xiitas, sábio ou guardião, a aplicação das leis islâmicas. Foi um tribunal presidido por um ayatollah, um mullah, que pôs a vida do jovem músico dependente do negócio da diya.

A vida, a troco de uma quantia, ou então a morte vem legislada no Livro 43, o Livro do Dinheiro de Sangue, do Al-Muwatta, colecção de hadiths, o registo das acções e ditos do Profeta Maomé, a mais antiga base da jurisprudência islâmica. Ali vem o que a lei calcula em dinheiro por crimes como o roubo, ferimentos causados por acidente, por dedos, dentes, um olho, com perda ou sem perda de visão, adultério, por um feto a que deu morte, enfim o assassínio. Ali vem o que as vítimas podem exigir como recompensa pelas suas perdas, ou os familiares pela morte de um dos seus. Foi por aqui que Sina Paymard foi condenado, apesar de na altura ser menor de idade.

O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de que o país é signatário, proíbe a execução de cidadãos de idade inferior a 18 anos no momento do crime. Ainda assim, entre os 176 condenados à morte executados no ano passado, quatro eram menores. O jovem músico poderá escapar a engrossar as estatísticas deste ano. Mas na hora de fecho desta edição isso ainda não era um dado de todo em todo adquirido, com a Amnistia Internacional a apelar ao envio de emails e faxes às embaixadas iranianas pedindo que ele não seja executado.

Óscar ou o gato da morte



Esta estória é muito curiosa e a explicação pode ser simplesmente o facto de os animais terem alguns sentidos mais apurados do que os humanos.
Este gatinho vive num hospital e pressente quando algum doente vai morrer. Sobe para a cama da pessoa e ali fica até que ela deixe esta vida. Assim, ninguém morre sozinho.

notícia completa

domingo, 22 de julho de 2007

Bellissima


Foto de Nino Bartuccio

Cliquem na foto para ampliar e reparem no reflexo do fotógrafo nos olhos dela.
Que retrato fantástico!

Infância

"...Fugir é morrer de um lugar e ele, com os seus calções rotos, um saco velho a tiracolo, que saudade deixava? Maus tratos atrás dos bois. Os filhos dos outros tinham direito da escola. Ele não, não era filho. O serviço arrancava-o cedo da cama e devolvia-o ao sono quando dentro dele já não havia resto de infância..."

Mia Couto, "Vozes Anoitecidas"
Conto "O dia em que explodiu Mabata-bata"


Foto de Nino Bartuccio

sábado, 14 de julho de 2007

Cadeiras da Casa Branca

O Jorge W. Arbusto redecorou a sala. Adivinhem quem criou as cadeiras? Um português. Ah pois é...

Novas Cadeiras

Portuguese Melt Down

Desculpe, foi o menino que tirou o cartão vermelho das mãos do árbitro?



Seu malandreco....

Guernica

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Robotarium

É o primeiro jardim zoológico com vida artificial e fica em....
ALVERCA!!!!!
já saíram notícias sobre isto no New Scientist, no La Republicca (italiano) e em jornais alemães e espanhóis. UAU!



The Robotarium X at Jardim Central, Alverca (Vila Franca de Xira), Portugal, is the first of its kind in the world.

Conceived for a public garden it is constituted by a large glass structure containing 45 robots, most powered by photovoltaic energy and a few plugged to the ceiling or to the ground.

The robots are all original, created specifically for the project, representing 14 species classified by distinct behavior strategies and body morphologies. Obstacle avoidance, movement or sunlight detection and interaction with the public are some of the robots skills.

Robotarium X, the first zoo for artificial life, approaches robots very much in the way as we are used to look at natural life. We, humans, enjoy watching and studying other life forms behavior and, sadly, also to capture them. However, in this case, although the robots are confined to a cage it can be said that, not like animals, they enjoy it. In fact the Robotarium is their ideal environment with plenty of sun, smoothness, tranquility and attention. There are no fights or aggression and the only competition is to assure a place under the sunlight.

Robotarium X is also an art work of a new kind of art that realizes a critical questioning of knowledge and culture. Notions like nature, life, the artificial, machine, art, culture and science, are challenged by this display.

domingo, 8 de julho de 2007

A vida sexual dos selvagens?

Já sei... ando a dar-lhe nos vídeos. Este não resisto mesmo a pôr.
Alguém se lembra disto?
Era muito à frente para o Portugal de 1983.
E dizer que eu eu decorava as músicas das telenovelas e que ainda hoje sei esta de cor?
Mas esta parte de "a vida sexual dos selvagens" não me lembrava de todo. A rimar vinha "nosso louco amô". Das duas uma: ou foi cortado ou eu era muito inocente para entender...

sábado, 7 de julho de 2007

A vida não pára!

Até quando o corpo pede um pouco mais de alma...



(Mafalda Veiga & João Pedro Pais)

Cavaleiro Andante

Depois e antes...


(2000 - 20 anos de carreira)


(1990)


Cavaleiro Andante

Porque sou o cavaleiro andante
Que mora no teu livro de aventuras
Podes vir chorar no meu peito
As mágoas e as desventuras

Sempre que o vento te ralhe
E a chuva de maio te molhe
Sempre que o teu barco encalhe
E a vida passe e não te olhe

Porque sou o cavaleiro andante
Que o teu velho medo inventou
Podes vir chorar no meu peito
Pois sabes sempre onde estou

Sempre que a rádio diga
Que a américa roubou a lua
Ou que um louco te persiga
E te chame nomes na rua

Porque sou o que chega e conta
Mentiras que te fazem feliz
E tu vibras com histórias
De viagens que eu nunca fiz

Podes vir chorar no meu peito
Longe de tudo o que é mau
Que eu vou estar sempre ao teu lado
No meu cavalo de pau


Carlos Tê e Rui Veloso

terça-feira, 3 de julho de 2007

Modernos comportamentos femininos

...no mundo animal e no mundo dos humanos.
Ora aqui estão dois estudos com revelações muito importantes sobre o universo feminino.

No primeiro, as modernas técnicas de genética mostraram que em muitas espécies, fémeas aparentemente em relações monogâmicas, muitas vezes produzem famílias com mais do que um pai. Para explicar isto, os biólogos têm a teoria de que estas fémeas arranjam outro macho que é geneticamente superior ao seu par habitual. Olha as espertinhas!

Ain't misbehaving

No segundo, mais precisameste na Alemanha de Leste, um estudo do "Berlin Institute for Population and Development" veio mostrar que uma nova doença, a "Falta de Mulheres" se deve a que as raparigas estudam mais que que rapazes e que, portanto, se tornam mais qualificadas para migrar para a Alemanha Ocidental para encontrar melhores parceiros e melhores empregos. Go girls!!!

We ain't got dames

As Paixões da Alma

Art. 53 – A admiração

Quando o primeiro contacto com qualquer objecto nos surpreende, e o julgamos novo ou muito diferente do que até então conhecíamos ou do que supúnhamos que deveria ser, isso faz que o admiremos e nos surpreendamos com ele…, parece-me que a admiração é a primeira das paixões.

Art. 97 – As principais experiências que permitem conhecer esses movimentos no amor

Ora, considerando as diversas alterações que o corpo sofre e que a experiência mostra quando a alma está agitada por diversas paixões, noto que no amor, quando é sozinho, isto é, quando não é acompanhado de qualquer forte alegria, desejo ou tristeza, o bater do pulso é compassado, e muito maior e mais forte que de ordinário, um brando calor se sente no peito e a digestão dos alimentos se faz muito mais rapidamente no estômago; de modo que esta paixão é útil à saúde.

Art. 101 – No desejo

Finalmente, noto de particular no desejo que este agita o coração mais violentamente que qualquer outra paixão, e fornece ao cérebro mais espíritos, que, passando dele aos músculos, aumentam a acuidade dos sentidos e tornam mais móveis todas as partes do corpo.

Art. 131 – Como se chora de tristeza

A outra causa é a tristeza, seguida de amor, ou de alegria, ou em geral de qualquer causa que obrigue a expulsar muito sangue pelas artérias. A tristeza é propícia a isso, porque contrai os poros dos olhos. Mas como à medida que os contrai, diminui também a quantidade de vapores a que devem dar passagem, isso não basta para produzir lágrimas, se a quantidade desses vapores não for ao mesmo tempo aumentando por qualquer outra causa. E nada aumenta tanto como o sangue, que é enviado do coração, na paixão do amor. Por isso observamos que os que estão tristes não vertem continuamente lágrimas, mas apenas intervaladamente, quando fazem qualquer reflexão sobre os objectos que os emocionam.

Descartes, As Paixões da Alma



René Magritte, Les Amants (1928)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Dois motivos para celebrar

The improvement in the cancer survival rates recorded in Britain over the past three decades is quite simply astonishing. Thirty years ago a patient diagnosed with cancer had a 23.6 per cent chance of being alive after 10 years. Today they would have at least a 46.2 per cent chance of surviving that long. And a significant proportion of this improvement in life expectancy has been registered in the decade leading up to 2001. There is every reason to believe this encouraging trend will continue.

in "The Independent", 16/05/2007

Não são fantásticos estes números? Fizeram a capa do "The Independent" no dia dezasseis de Maio.
Agora, sabem quem está por detrás deles? Uma portuguesa! Estou expressamente proibida de revelar o nome. Mas...oh pá PARABÉNS!
É mais um cérebro iluminado que se pôs em fuga de Portugal e agora dá mais brilho à Grã-Bretanha. That's life!
Artigo

Genuine Falling Soldier

É verdadeira, sim senhor!

Após muita investigação apurou-se que, se o soldado não estivesse mesmo morto, os dedos das mãos estariam instintivamente numa posição de poder aparar a queda.

Para quem quiser saber como é que o Robert Capa conseguiu fazer esta fotografia sensacional, aqui vai o link para o american masters

domingo, 1 de julho de 2007

Falling Soldier

Verdadeira ou Falsa?



Robert Capa, Falling Soldier (Cerro Muriano, 5 de Setembro de 1936)

sábado, 30 de junho de 2007

Mas que nível...

Mais do mesmo. Quando é bom nunca é demais!

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Hey! That's me!!

What goes around
Comes around
you'll see...


César Branco, Agnes (2007)

Mayra Andrade

Foi ontem, de graça, na Torre de Belém... e eu não fui :(((

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O que foi não volta a ser...

Mesmo que se queira muito, o que foi não volta a ser.
Lembram-se das Spice Girls? Há dez anos era o que estava a dar. Não havia adolescente que não as imitasse.
Vão reagrupar-se. Cheira-me a regresso ao passado, a conquista da juventude perdida. A ver...



Anúncio Eminente

quarta-feira, 27 de junho de 2007

O último executor de crianças

Dois dias depois de completar 18 anos, em 2006, Sina Paymard foi levado para ser enforcado. Enquanto ali estava com a corda no pescoço, perguntaram-lhe qual seria o seu último pedido. Ele disse que gostaria de tocar "ney", uma flauta do Médio Oriente. Familiares da vítima assassinada, que ali estavam para testemunhar o enforcamento, ficaram tão comovidos pela forma como Sina tocou, que concordaram em aceitar o pagamento da "diyeh" (dinheiro de sangue), em vez da retribuição com a morte, tal como é permitido pela lei iraniana. Sina Paymard continua sob sentença de morte na prisão de Reja'i Shahr em Karaj.

O Irão é o último país do mundo a permitir oficialmente a execução de crianças e o que executou mais crianças desde 1990, segundo um relatório de hoje da Amnistia Internacional.

Relatório Amnistia Internacional

Para fazer alguma coisa, cliquem no botão do lado direito "Take Action. Iran: No more empty promises - no more child executions".

Amnistia Internacional: Irão é o país com mais crianças condenadas à pena de morte


Sou membro da Amnistia Internacional e, normalmente, as acções pedidas são o envio de cartas. Confesso que não tenho por hábito enviar, mas de qualquer forma aqui fica o toque.



Munch, O Grito (1893)